LI BAI, EXILADO NA TERRA
por Sérgio Capparelli e Sun Yuqi (apresentação e tradução do chinês)

 

 

Li Bai (701-762) viveu durante a Dinastia Tang (618-907) considerada a época de ouro da poesia clássica chinesa. Os estudiosos consideram que a cultura da China como um todo teve seu apogeu alguns séculos depois, durante a Dinastia Song. Mas não na poesia, em suas duas vertentes, a romântica, com o próprio Li Bai, e a realista, com Du Fu (712-770). E ninguém melhor do que o próprio Du Fu para falar sobre a poesia de Li Bai: “As suas pinceladas amedrontam o vento e a chuva, /e suas poesias fazem chorar espíritos e demônios”.

Até o realista Du Fu exalta-se quando se trata da poesia de Li Bai. E não apenas Du Fu. Quando Li Bai, aos 42 anos, foi para Chang-an, a capital da China da época, com cerca de 2 milhões de habitantes, sua poesia foi logo reconhecida. E He Zhizhang, secretário-geral da Corte, ele mesmo poeta, disse que Li Bai certamente era um imortal exilado na terra. Ele referia-se à crença taoísta de que um imortal que não se comporta bem no céu é condenado a viver na terra por um período, e nesse exílio, imortal que é, realiza feitos extraordinários. Por isso Li Bai sempre foi conhecido na China como um poeta imortal.

Espírito inquieto, ele tinha grandes ambições, mas sua inquietude, busca de liberdade, espírito aventureiro e irreverência não se adequavam ao espírito da Corte. Teve de se afastar. Porque estava cansado do ambiente corrupto e superficial. E por causa de intrigas palacianas.

Deixou mais de 900 poemas sobre a natureza, a amizade, a solidão, a passagem do tempo, as viagens por paisagens imaginárias, de inspiração taoísta. No seu amor pela bebida, vem logo à mente do leitor Dylan Thomas, Baudelaire ou Rimbaud, mas no caso de Li Bai, o vinho avança pelos poemas na busca do hedonismo taoísta e libertação: “Ainda estou sóbrio, que a festa prossiga!”.

Nos nos seus poemas comparece também o amor pela pátria e a defesa das fronteiras, como no poema em que o lar banha a cidade de Chang-an e o leitor ouve o bater de roupa em dez mil casas, com todos os corações voltados na direção do Passo de Jade, se perguntando quando os bárbaros serão enfim vencidos, deixando assim que os maridos possam voltar para casa.

No segundo período de sua poesia, fora da Corte e no meio da guerra civil provocada pela rebelião de An Lu-Shan, que começou em 755 e foi até 763, seus versos mostram uma tensão nova, a de querer se afastar da vida pública e viver isolado nas montanhas e, ao mesmo tempo, o desejo de fazer alguma coisa para o seu país e para a sua poesia. Seus poemas soam mais amadurecidos, mais condensados e mais sugestivos: “A escadaria de jade cobre-se de geada /O frio úmido da noite penetrou em suas meias de seda/ Solta o cortinado e através dos cristais diáfanos/ contempla a pálida lua do outono”.

A explicação desse desejo de ser reconhecido pode ser encontrada em sua biografia. O pai de Li Bai era comerciante, em um tempo em que quem vivia do comércio era discriminado. Some-se a isso o fato de Li Bai ter nascido numa região da China distante do centro de poder, em uma pequena localidade situada onde é hoje o Cazaquistão.

Nessa época, ser bem sucedido no comércio não significava aceitação. Pelo contrário, especialmente em Chang’an, onde vivia boa parte dos literati. Foi por isso que quando jovem não se interessou pelos ambientes que o discriminavam e saiu a viajar pela China, cavaleiro errante com seus poemas nos alforjes. Queria compreender que país que era o seu. Devido a essa desdenho pela vida regrada, nunca se candidatou aos exames imperiais, porta de entrada para vida literária e artística. Mas um dia voltou atrás. Foi para Chang’an. Ele também sabia que as pessoas e instituições legitimadoras da poesia estavam na capital chinesa.

No entanto, logo se deu conta de que seu estilo de vida batia de frente com o pensamento confuciano. A doutrina de Confúcio exigia a disciplina e o respeito enquanto sua vida se pautava pelo hedonismo, pelo desprezo às convenções, pelo desejo de liberdade e pelo livre espírito. Nas suas próprias palavras: “Como posso baixar a cabeça e me inclinar a serviço dos senhores do poder, se a alegria logo foge do meu coração e do meu rosto?”

 
 

 

32 Poemas de Li Bai

 

Adeus a Meng Haoran



A oeste do pavilhão da Grua amarela,
          Despedimo-nos, velho amigo.
Entre as flores e a bruma de março
          desces rumo à aldeia de Yang.
A vaga silhueta de tua solitária vela
          desaparece no espaço esmeralda,
E só resta o Grande Rio
          Que corre para o infinito do céu. 

黄鹤楼送孟浩然之广陵
故人西辞黄鹤楼,
烟花三月下扬州。
孤帆远影碧空尽,
惟见长江天际流。




Adeus a um amigo que parte



As montanhas azuladas
          bordejam as muralhas ao norte.
A água cristalina
          contorna as muralhas ao leste.
Nesse lugar
          vamos nos separar.
Você será erva errante,
          por milhares de lis.
Nuvem flutuante,
          humores vagamundo,
O sol que se vai,
          velhos amigos que se afastam
Nós nos acenando
          No momento da partida,
e mais uma vez relincham
          os nossos cavalos. 

送友人
青山横北郭,白水绕东城。
此地一为别,孤蓬万里征。
浮云游子意,落日故人情。
挥手自兹去,萧萧班马鸣。





A Du Fu, da aldeia de Shaquiu


Enfim, por que razão
          estou aqui?
Fiz meu retiro
          na aldeia de Shaqiu
Ao pé das muralhas,
          apenas árvores seculares
Nelas, dia e noite,
          a voz do outono.
O vinho de Lu
          não consegue
me deixar bêbado
         e os cantos comoventes de Qi
não tocam mais
           meu coração.
Minhas saudades de voce
          são como as correntes
do rio Wen
          que, sem fim,
se precipitam para o sul. 

沙丘城下寄杜甫 
我来竟何事?高卧沙丘城。
城边有古树,日夕连秋声。
鲁酒不可醉,齐歌空复情。
思君若汶水,浩荡寄南征。




Na casa da senhora Xun


Hospedo-me
         ao pé da montanha dos Cinco Pinheiros.
Profunda solidão
          e nada para me alegrar...
Rude é o trabalho
         dos camponeses 
         no outono.
Ouço a mulher
            da fazenda vizinha
            socar o trigo
           no frio da noite.
A mulher que me hospeda se ajoelha
          para me oferecer
          um prato suculento
          de arroz.
A comida no prato
          brilha como pérolas
          sob a lua.
Perturbado,
          eu me lembro daquela lavadeira
          que ofereceu à sua visita
         um prato de arroz.
Agradeço três vezes,
           mas não consigo
engolir um só bocado. 



宿五松山下荀媪家
我宿五松下,寂寥无所欢。
田家秋作苦,邻女夜舂寒。
跪进雕胡饭,月光明素盘。
令人惭漂母,三谢不能餐。




Canção do Lago Qiupu


Cabelos brancos,
         compridos,
Tão longos assim
          Só a tristeza e o sofrimento.
No brilho do espelho,
           de onde vem
Essa geada branca,
          no outono? 


秋浦歌
白 发 三 千 丈,
缘 愁 似 个 长。
不 知 明 镜 里,
何 处 得 秋 霜。




Beldade no caminho




O cavalo
          empertigado
          anda sobre as flores
          caídas.
Meu relho no ar
          roça as nuvens
Bela, a menina
          que abre a cortina de pérolas
e com um sorriso,
           aponta, ao longe,
a casa vermelha:
           é lá que eu moro. 

陌上赠美人
骏马骄行踏落花,
垂鞭直拂五云车。
美人一笑褰珠箔,
遥指红楼是妾家。




Canto de Changgan



Quando minha franja
           apenas cobria minha fronte
Eu brincava com flores
          colhidas na frente da porta;
Com seu cavalo de bambu, você vinha
           e nos divertíamos
           em volta do poço
           e no pomar,
           onde as ameixas amadureciam.
Assim, juntos, em Chang´an
            nós crescemos:
Duas crianças que não conheciam
            a desconfiança e a raiva.
A partir dos 14 anos
           eu me tornei sua mulher,
Tímida, tão tímida,
          nem mesmo ousava sorrir.
Os olhos sempre baixos,
          voltados para os cantos escuros,
Mil vezes você me chamava,
           Mas eu nunca respondia.
Aos 15 deixei de franzir
          as sobrancelhas.
Eu e você queríamos
           nos transformar em um,
           como cinza e poeira.
Eu acreditava em você como alguém
          que espera sua namorada 
          debaixo da ponte, 
          apesar das águas agitadas.
Por que eu teria pensado
           na colina onde as mulheres aguardam 
           o retorno dos esposos?
Quando fiz 16 anos,
           Você partiu para longe,
para a garganta do rio Qutang
         onde se ergue o Monte Yanyu.
É maio, por favor, cuide-se 
          no caminho, entre rochas
Os gritos desesperadores dos macacos
          Sobem ao céu.
Diante de casa,
          marcas antigas de seus passos,
          todas elas cobertas
         de espesso limo.
eu não consigo
           varrê-las
As folhas também
          tocadas pelo vento fora de época
No oitavo mês,
          as borboletas amarelam
Duas a duas,
          voam na grama
          do jardim do oeste.
Tudo isso entristece meu coração
          ao ver a primavera
          partir tão cedo.
Cedo ou tarde, quando você
           de regresso
           deixar a região de Sanpa,
envia antes, eu peço,
           uma carta,
Eu irei ao teu encontro,
          sem ter medo da distância,
pela estrada longínquua
           até o porto
das Areias do Longo Vento.
 
长干行二首 (一)
妾发初覆额,折花门前剧。
郎骑竹马来,绕床弄青梅。
同居长干里,两小无嫌猜,
十四为君妇,羞颜未尝开。
低头向暗壁,千唤不一回。
十五始展眉,愿同尘与灰。
常存抱柱信,岂上望夫台。
十六君远行,瞿塘滟滪堆。
五月不可触,猿声天上哀。
门前迟行迹,一一生绿苔。
苔深不能扫,落叶秋风早。
八月蝴蝶黄,双飞西园草。
感此伤妾心,坐愁红颜老。
早晚下三巴,预将书报家。
相迎不道远,直至长风沙。



Visita ao monge taoísta


Os latidos do cão se perdem
         no barulho da água
         depois da chuva,
A flor do pessegueiro
         se cobre de orvalho.
No fundo da floresta
         vez em quando
        um cervo.
Perto da torrente,
        ao meio dia,
        nenhum bater de sino.
A ponta fina dos bambus perfuram
        a névoa azulada
A cascada se agarra
        ao pico esmeralda
Ninguém sabe dizer
        onde ele foi,
E eu aqui, triste
        apoiado
ao tronco do pinheiro.
 


访戴天山道士不遇
犬吠水声中,桃花带露浓。
树深时见鹿,溪午不闻钟。
野竹分青霭,飞泉挂碧峰。
无人知所去,愁倚两三松。






Escutando uma flauta em Luoyang


Quem faz soar essa flauta,
        tocando em algum lugar,
e que espalha essa música
        que a brisa da primavera
dispersa na aldeia de Luo?
        Quem, nesta noite,
ouvindo essa canção antiga,
        sobre o galho do salgueiro
deixaria de pensar
        no seu país natal? 

春夜洛城闻笛 
谁家玉笛暗飞声,
散入春风满洛城。
此夜曲中闻折柳,
何人不起故园情。


Pensamentos

Diante de minha janela
        O brilho do luar.
Ou é a geada
         cintilando no chão?

Levanto a cabeça
        E contemplo a lua.
Baixo a cabeça -
        Saudades de minha terra natal! 

静夜思
床 前 明 月 光,
疑 是 地 上 霜。
举 头 望 明 月,
低 头 思 故 乡。



O templo na montanha


Passo a noite
         No Templo da Montanha.
Se estender a mão,
         Toco as estrelas.
Nem ouso falar,
         Para não acordar
os que moram no céu. 


题峰顶寺
夜宿峰顶寺。
举手扪星辰。
不敢高声语。
恐惊天上人。




Diálogo sobre a montanha


Há quem me pergunte
         por que eu vivo
         nestas verdes colinas,
sem responder, eu sorrio,
        com o coração sereno:
flores de pessegueiro
         flutuam na água:
tudo vai embora e se apaga.
        Aqui é outra, a terra.
e outro, o céu.
        Nada em comum
com o mundo dos humanos
        lá embaixo. 

山中问答
问余何意栖碧山,
笑而不答心自闲。
桃花流水窅然去,
别有天地非人间。




Contemplando o Monte Tianmen


Parece que o Monte Tianmen
        de propósito partiu-se em dois,
        para deixar correr
        o Grande Rio.
As águas verdes
        que se dirigiam a leste
        voltam-se aqui, rápidas, para o norte,
As duas falésias azuis
        nas margens
        levantam-se.
e lá embaixo
        um resto de sol ilumina
uma vela solitária
        nas águas sombreadas. 

望天门山 
天门中断楚江开,
碧水东流至此回。
两岸青山相对出,
孤帆一片日边来。


Diante da Montanha de Yingjing

Os pássaros
         já partiram todos
Mesmo a nuvem solitária
        afasta-se ao longe.
E nós, minha montanha,
        ficamos aqui, os dois, sozinhos,
A nos contemplar
         um ao outro
sem jamais nos cansarmos. 


独坐敬亭山
众鸟高飞尽,
孤云独去闲。
相看两不厌,
只有敬亭山。





Bebendo sozinho sob o luar


Entre as flores
         um jarro de vinho
        bebo sozinho
Ergo o copo,
        convido a lua,
Com minha sombra e eu
        já somos três.
Mesmo que a lua
         não saiba beber
e que minha sombra
         em vão me acompanhe,
eu me alegro
          festejando a primavera
          neste instante.
Eu canto,
        a lua me acompanha.
Eu danço,
        e minha sombra tropeça,
        e me estende o braço.
Ainda sóbrio,
         que a festa prossiga!
Bêbados,
        cada segue seu caminho!
Ligados para sempre
        simples amigos,
na Via-Láctea,
         Um ao outro,
Nos esperaremos. 

月下独酌
花间一壶酒,独酌无相亲。
举杯邀明月,对影成三人。
月既不解饮,影徒随我身。
暂伴月将影,行乐须及春。
我歌月徘徊,我舞影零乱。
醒时同交欢,醉后各分散。
永结无情游,相期邈云汉。


Acordando em um dia de primavera


Sonhar viver? Viver um sonho?
        Por que se preocupar?
Viver sempre bêbado,
        Dormir o resto do tempo.
É o que faço. Ao acordar
        eu vi um pássaro cantando entre as flores.
Eu perguntei: “Que dia é hoje?”
        “Primavera”, responderam.
“O currupião canta”. Eu suspirei.
        Aquele canto me tocava.
Eu me servi um copo
        e cantei esperando
        que a lua aparecesse.
No fim de minha canção,
        estava tudo esquecido. 

春日醉起言志
处世若大梦,胡为劳其生。
所以终日醉,颓然卧前楹。
觉来盼庭前,一鸟花间鸣。
借问此何时,春风语流莺。
感之欲叹息,对酒还自倾。
浩歌待明月,曲尽已忘情。


Deixando Baidi


Das altas muralhas de Baidi,
        pelas cores da aurora,
até Jiangling, ao cair da noite,
          são trezentas milhas,
e os macacos, em meio a tudo isso,
        vão ficando para trás
nas duas margens,
        convidando ao meu barco
as dez mil montanhas ao longe. 


早发白帝城
朝辞白帝彩云间,
千里江陵一日还。
两岸猿声啼不住,
轻舟已过万重山。






Pensamento da primavera


Nas passagens do Norte
        despontam timidamente
        os brotos de erva
Ao sul, os ramos das amoreiras
       já vergam
      sob a folhagem verde.
Toda vez que você sonha voltar. 
       parte-se meu coração e olho
       para o norte.
Brisa da primavera
        eu bem te conheço:
Como ousas deslizar
        atrás das cortinas
de meu leito? 
春思
燕草如碧丝,
秦桑低绿枝。
当君怀归日,
是妾断肠时。
春风不相识,
何事入罗帏。





Pu Sa Man


Um renque de árvores,
      no horizonte,
      bordado de névoa,
Cintura de montanhas frias
      verde-esmeralda;
O crepúsculo invade
       o pavilhão:
Alguém, triste, 
       lá em cima.

Espera inútil
       na escadaria de jade,
Os pássaros apressam
       seu retorno.
Onde, me diz, o caminho
       de retorno para os homens?
Quiosques na beira da estrada,
        de quando em quando. 


菩萨蛮•闺情 
平林漠漠烟如织,
寒山一带伤心碧。
暝色入高楼,
有人楼上愁。
玉梯空伫立,
宿鸟归飞急。
何处是归程,
长亭连短亭。




No quiosque de Xie Tiao: banquete
de adeus ao mandarim Yun, meu tio



O que foi se distancia,
      e não posso reter,
o presente me atormenta,
      pesado de angústias,
Ao longo de dez mil li,
       o vento escolta
       os gansos selvagens
No alto do pavilhão,
       nós dois, a beber!
Quanta pureza nos escritos
       dos criadores imortais,
do período de Peng Lai e Jian’an,
       e o poeta Xie Tiao,
no frescor de seus versos...
       homens livres, soberbos,
       de sonhos sem limites:
Subir ao azur,
        pegar a lua com as mãos!
com a espada,
       cortar a água:
       ela correrá mais bela;
Um brinde,
       para afogar tristezas:
eles emergem,
       mais vivas.
Nada que possa responder
       aos nossos desejos neste mundo.
De madrugada,
        de cabelos soltos,
navegarei ao léu. 


宣州谢朓楼饯别校书叔云
弃我去者,
昨日之日不可留,
乱我心者.
今日之日多烦忧。
长风万里送秋雁, 对此可以酣高楼。
蓬莱文章建安骨, 中间小谢又清发
俱怀逸兴壮思飞, 欲上青天揽明月。
抽刀断水水更流, 举杯销愁愁更愁。
人生在世不称意, 明朝散发弄扁舟。

 
Antigo poema


Zhuangzi sonhou
        que era borboleta
ou a borboleta sonhou
        que era Zhuangzi?

Se uma criatura é capaz
        De em outra se transformar,
O mundo vira
        uma metamorfose sem fim.

Por que então se espantar
        de que o oceano Penglai
volta a ser
        um límpido riacho

e que quem cultiva melão
        nas portas da cidade
foi um dia
        o marquês de Dongling?

De riqueza e honrarias
        nós sempre gostamos
Sempre lutando,
        mas, enfim, em busca de quê? 


古风
庄周梦胡蝶,胡蝶为庄周。
一体更变易,万事良悠悠。
乃知蓬莱水,复作清浅流。
青门种瓜人,旧日东陵侯。
富贵故如此,营营何所求。




Lamento na escadaria de jade



A escadaria de jade
        cobre-se de geada
O frio úmido da noite
        penetrou suas meias de seda
Solta o cortinado
        e através dos cristais diáfanos
Contempla a lua pálida
        do outono. 

玉阶怨 
玉阶生白露,
夜久侵罗袜。
却下水晶帘,
玲珑望秋月。


O Monte Tong


Gosto do Monte Tong
        Porque ele me deixa alegre
Fico por aqui bem uns mil anos.
        Danço ao meu gosto:
minha manga solta roça
        de uma só vez
todos os pinheiros aqui de cima


铜官山醉后绝句
我爱铜官乐,千年未拟还。
要须回舞袖,拂尽五松山。


Lavado e perfumado


Banhado em fragrância,
       não esfrega os cabelos
Lavado em perfume,
       não sacode sua roupa.
Saiba: o mundo
        detesta o que é puro,
O homem de coração nobre
        esconde seu brilho.
Na beira do rio,
        um velho pescador:
Você e eu, juntos,
        retornemos à casa. 

沐浴子
沐芳莫弹冠。浴兰莫振衣。
处世忌太洁。至人贵藏晖。
沧浪有钓叟。吾与尔同归。


A cascata do Monte Lu

Debaixo do sol escaldante
        Um vapor violeta sobe
do pico do Queima Incenso.
        De longe, a catarata
parece um rio suspenso,
        as águas em vôo se jogam
        de três mil pés
E eu me pergunto
        se não é a Via Láctea
que cai aqui
        do alto do céu.

望庐山瀑布
日照香炉生紫烟,
遥望瀑布挂前川。
飞流直下三千尺,
疑是银河落九天。 

Canção de outono em Zy-ye


O luar banha
       A cidade de Chang’an
O bater de roupas
       em dez mil casas
O vento do outono
        Não consegue soprar...
Corações que batem sempre
        para o Passo de Jade:
Quando os bárbaros, enfim,
        serão vencidos
e nossos maridos
        voltarão da guerra?
子夜吴歌•秋歌
长安一片月,
万户捣衣声。
秋风吹不尽,
总是玉关情。
何日平胡虏,
良人罢远征




O apelo dos corvos noturnos


Nuvens amarelas
        ao lado das muralhas.
Os corvos junto da torre
       estão de volta ,
e crocitam,
        crocitam,
nos galhos
No tear,
        Tece o brocado
a menina do Rio Qin.
O tule esverdeado
        na janela
        parece neblina
ela fala sozinha
        e parando a lançadeira
infeliz,
        pensa em quem está longe
Sozinha,
        no quarto solitário:
suas lágrimas parecem chuva. 

乌夜啼
黄云城边乌欲栖,归飞哑哑枝上啼。机中织锦秦川女,
碧纱如烟隔窗语。停梭怅然忆远人,独宿孤房泪如雨。 


Diversão



Sentado,
        Bebo sozinho
sem perceber o crepúsculo
        e as flores que caem
já enchem as dobras de minha túnica.
Zonzo, eu me levanto
        e procuro lua na água.
Os pássaros já se foram
        raras as pessoas. 

自遣
对酒不觉暝,
落花盈我衣。
醉起步溪月,
鸟还人亦稀。 

 
Bebendo com um amigo


Entre flores da montanha
          Eu e você bebemos
Um copo, outro,
          E ainda mais um.
No fim, bêbado,
          eu fecho os olhos:
Melhor ir agora,
          Mas se quiser,
Volta amanhã,
          Só não esquece a cítara! 



山中与幽人对酌
两人对酌山花开,
一杯一杯复一杯。
我醉欲眠卿且去,
明朝有意抱琴来。




Saudade demais

Saudade demais 
          De Chang´an
As cigarras tecem
          sua canção de outono
          sob a balaustrada
          cor de ouro da fonte.
No ar frio da noite
         a geada na minha cama
          muda de cor com o frio
A candeia solitária
          Está quase no fim,
          e a saudade me mata
Levanto a cortina,
          contemplo a lua
          e suspiro em vão
Aquela jovem bonita
          parecida com uma flor
          esconde-se atrás
          da barreira de nuvens
Acima, a noite escura
          e a amplidão do céu
Embaixo as águas
          criam espumas
Mesmo para o meu coração,
          o céu é imenso,
          e a estrada longa e difícil,
E os sonhos que eu sonho
          não conseguem ultrapassar
          os desfiladeiros das montanhas.
Essa saudade imensa
          Me parte o coração. 


长相思
长相思,在长安。
络纬秋啼金井阑,
微霜凄凄簟色寒。
孤灯不明思欲绝,
卷帷望月空长叹。
美人如花隔云端。
上有青冥之高天,
下有渌水之波澜。
天长路远魂飞苦,
梦魂不到关山难。
长相思,摧心肝。



Vento de Outono


O ar do outono é fresco.
          Clara é lua de outono.
Folhas secas
         Que se juntam e se dispersam
A gralha que pousa
          logo se assusta.
Pensando em nós dois,
           Quando o reencontro?
Nessa hora, nessa noite,
          Essa dor que lateja.
Ao entrar na porta da saudade
         logo vi o quanto doía
Se maior, fundo penetra
          Se menor, faz-se infinita
Se previsse tamanha dor
          Melhor não te ter conhecido.
 
秋风词

秋风清,
秋月明,
落叶聚还散,
寒鸦栖复惊。
相思相见知何日,
此时此夜难为情;
入我相思门,
知我相思苦,
长相思兮长相忆,
短相思兮无穷极,
早知如此绊人心,
何如当初莫相识



Subindo ano Terraço de Fênix em Jingling

Outrora as fênix
          Aqui se reuniam 
Há muito se foram,
           o terraço está vazio
           e o rio, a seus pés, 
          corre na solidão.
No palácio de Wu,
           As flores e o mato
Cobriram as aléias,
           E os grandes dignatários de Jin
Repousam à sombra
          De antigos túmulos.
Os Três Montes se escondem
            atrás do azul do céu
A ilhota da Garça Branca
          Corta o Yangzi em dois
Nuvens flutuantes
          Podem sempre
esconder o sol
             E não ver mais Chang´an
é  uma dor que fundo dói.
 

登金陵凤凰台
凤凰台上凤凰游,凤去台空江自流。
吴宫花草埋幽径,晋代衣冠成古丘。
三山半落青天外,一水中分白鹭洲。
总为浮云能蔽日,长安不见使人愁。




A lua na fronteira

A lua brilhante
          eleva-se sobre
          a Montanha Celeste
num embaçamento
          de nuvem e de mar,
O vento viaja
          milhas e milhas
para fustigar as ameias
          do Passo de Jade...
O imperador Liu Bang
          ficou um dia cercado em Baideng
e tanto tempo depois
          os bárbaros de novo espreitam
          o azul da baía
E como batalha alguma
            famosa na história
           trouxe de volta
           os seus bravos guerreiros
os soldados em ronda
          observam a fronteira,
pensando em suas casas,
           de olhos saudosos,
lembrando-se daqueles
             que nesta noite,
em seus quartos,
          suspirosos, agitados,
não conseguem repousar. 

 

关山月
明月出天山,苍茫云海间。
长风几万里,吹度玉门关。
汉下白登道,胡窥青海湾。
由来征战地,不见有人还。
戍客望边邑,思归多苦颜。
高楼当此夜,叹息未应闲。
 

 

2011-09-25 16:48:41





Poemas selecionados
por Sérgio Capparelli (tradução)

 

 

 

 

Tiraremos a fina seda de nossas roupas


Ela vivia
           a leste de Chongling.
Ele morava numa ilha
          do Rio Chan
e o dia inteiro admirava
          a luz da flor.
Correndo constantemente
          um para o outro
eles se abriram
           um pequeno caminho branco.
Quando nuvem e chuva
           se separaram,
a trilha desapareceu
          debaixo das ervas do outono
e acima delas voltejaram
           borboletas tardias.
No amor obscurecido
          penetra o brilho do sol,
          e como poderia ser de outro jeito?
Quando de novo
          nos revermos,
apagaremos a candeia
           e tiraremos a fina seda
de nossas roupas.




Procurando o mestre


Entre os picos
         em que a esmeralda
        toca o céu
Você vive livre 
         e se esquece da passagem
        dos anos.
Eu separo as nuvens
        para encontrar
o antigo caminho
        e me apóio nas árvores
        Para escutar as fontes.
Na tepidez das flores
         deitam–se os bois;
No alto dos pinheiros
         dormem as gruas brancas
E nesse instante em que falamos
         a noite caiu sobre o rio
e sozinho eu desço
         no frio e na bruma. 



Amor e amargura 

Como ela é bela,
        abrindo a cortina de pérolas,
Mas as graciosas sobrancelhas
        estão franzidas
E em seu rosto,
        há traços de lágrimas,
Mas ninguém sabe de onde vem
        esse amor feito de amargura..

 
 

怨情 
美人卷珠帘,深坐蹙蛾眉。
但见泪痕湿,不知心恨谁。
 

 


 

No início queria escreve só uma linha

No início, queria escrever
         apenas uma linha
E, com ênfase, dizer
        que te amo,
Depois eu acrescentei mais uma
        e outra mais,
Até escurecer
        toda a folha de papel
Tentando exprimir
        o que há de mais profundo
       no meu coração.
Uma grua amarela pousou
       na torre de jade
para murmurar àquela
        que mora no Pavilhão Verde
que o brilho juvenil de meu rosto
        começa a esmaecer
E que em minhas têmporas
        apareceram
        alguns fios cinza.
Sei que por agora
        não posso voltar.
se bem que já três primaveras
         nos separam,
Me diz: os pessegueiros e as ameixeiras
         sob as janelas
         guardam ainda
         seu frescor?
Não te deixes enganar
        pelos diz-que-diz
Da brisa mentirosa,
        para que, ao fim da espera,
o manto rubro
         e o fino perfume
possam juntos nos alegrar.


 

Em um forte na fronteira

As cigarras lamentam o frio
        pousadas em esguias amoreiras,
- Estamos no Oitavo mês
       no passo da fronteira -
pela frente ou pelos fundos
        e mais uma vez,
ao longo da estrada,
        não há nada em lugar nenhum,
a não ser o amarelo
        de juncos e de grama
e os ossos dos soldados
        de You e de Bing,
que assistiram ao funeral
        de suas próprias vidas
        na areia e no pó.
Não deixe nunca um cavaleiro
        incitar tua cobiça
com elogios ao teu cavalo
        e às tuas habilidades de ginete!

 

 

Quando ela estava lá

Quando ela estava lá,
        era como se a casa
        transbordasse de flores.
Hoje resta só
        um quarto vazio.
As cobertas de brocado,
        enroladas sobre o leito,
nunca ninguém
       as tocou de novo.
Três anos depois,
       exalam ainda
       seu delicado perfume.
Tão longe de mim,
       e no entanto 

sempre presente,
      sempre presente,
mas jamais de volta......
As folhas mortas
        descem em turbilhões,
Eu penso nela,
        orvalho branco
sobre o limo verde...



 

Balada das quatro estações: Primavera

Nas margens do rio Ruoye
        as moças
        colhem lótus.
Por entre as flores soam
        seus cochichos
        e seus risos.
As roupas novas refletem-se
        nas águas claras
        brilhando ao sol,
As mangas perfumadas
        flutuam com a brisa
Quem são esses belos cavaleiros
        perto do rio
        que surgem em pequenos grupos
        por trás dos salgueiros?
Quando os cavalos,
        pisando no tapete de flores se distanciam
e os relinchos calam-se,
         no coração das moças deslizam
triste sombras.

 
 
O alaúde do monge de Shu


O monge de Shu
        desce as encostas do Monte Emei
com seu alaúde
      no estojo de brocado verde.
Um só toque na corda
        e farfalham os pinheiros
        de mil vales.
O murmúrio das águas que correm
        purifica meu coração.
Ao longe ressoa e depois se cala
        o eco cristalino dos sinos enregelados.
Não vejo o crepúsculo
        que esconde a montanha verde
e se confunde
        com as pesadas nuvens
do outono.
 
 

 

 

Apelos dos corvos pousados

Quando os corvos
      pousam
       no terraço de Gusu,
O rei de Wu,
       no seu palácio,
bebe vinho
        com a bela Xi Shi.
Os cantos de Wu alternam-se
        com as danças de Chu,
mas o mais forte da alegria
       ainda está por vir,
Se bem que as verdes montanhas
       já engoliram
       mais da metade do sol.
A clepsidra de ouro
        já marcou
        as horas noturnas,
Todos se levantam
        para contemplar
a lua de outono:
       lentamente escorrega
       nas ondulações do rio.
Ao leste desperta
       a luz do dia.
Deveria ela apagar
        o brilho do festim?

 

 

 

Epitáfio do dono da cantina

O velho Ki, entre as sombras,
          ainda faz vinho,
Mas já não está Li Bai:
          O vinho, a quem vai comprar?

 

As moças de Yue

As moças de Wu,
          com a tez de porcelana,
          gostam de passear no lago.
Um bater dos cílios
           e oferecem a primavera
            de seus corações
quando colhem lótus
          e passeiam com os passantes no rio...
No rio Yue-xi
          uma bela donzela
           colhe lótus.
Percebendo um estranho,
          aproxima e se põe a cantar.
Depois, rindo,
          desliza entre as flores
E se fazendo de tímida
          Não quer mais se mostrar.

 

 

Ironizando os letrados de Shandong 


O velho de Shandong
         sabe dizer de cor
          os cinco livros sagrados.
Ele fez tantas pesquisas
         para saber onde a frase começa e termina
         que seus cabelos embranqueceram.
Mas quando lhe perguntam
         como governar um país,
ele te olha estupefato,
         como se, de repente,
caísse das nuvens.
Com sapatos para uma longa viagem,
        sua cabeça em um chapéu quadrado
e ornado com uma fita,
          arrasta-se tão devagar
pelo caminho plano
          que até o pó que ele levanta
          o ultrapassa.
Mesmo no reino de Qin,
          ninguém levaria a sério
          esse tipo de letrado.
Ele não é como Shu-sun Tong
          que desprezava os dogmáticos,
         e mesmo a mim mesmo
          em nada se parece 

 

 Despedida na Pousada de Jinling

A brisa fresca
     percorre a pousada
     com painas perfumadas
     dos salgueiros.
As meninas esguias
     do reino de Wu
     inclinam-se discretamente
     diante de nós
"Quer beber ainda,
       senhor?"
São meus jovens amigos
      de Jinling
      que vieram
      me dizer adeus.
A gente já deveria ter partido 
      mas de novo tilinta
      o último copo.
Pergunta ao Rio
      que vai para o leste:
"O que é mais longo,
      o curso do rio
       ou a dor da separação?"

 
 
Monte Tai
 
Subo o monte Tai
          madrugada ainda,
para admirar
         o nascer do sol:
Com as mãos,
         separo as nuvens.
  

 

 

As lutas do ano passado

No ano passado
          lutamos muito
          no forte das Amoreiras

 Neste ano, lutamos
          no caminho
          da Cebola Verde.
Lavamos nossas espadas
         nas vagas do Tiaozhi
e nossos cavalos pastam
         na neve do Monte Tian.
Depois de 10 mil lis*
         de caminhada e de combates,
nossos exércitos estão esgotados
          e enfraquecidos.
Os bárbaros
          não semeiam os campos,
o massacre é para eles
         o que o plantio
         é para nós.
Desde os tempos
          mais recuados
os ossos brancos
          aqui, empilhados
          sobre a areia amarela.
Lá, onde os Qin construíram
         a Grande Muralha
         contra os invasores
os filhos dos Han
         acendem tochas,
        que servem de aviso.
até hoje. as escaramuças
         jamais acabaram.
No campo de batalha
         os homens cruzam o ferro
         no corpo-a-corpo,
         sem misericórdia.
Os cavalos relincham
        suplicando ao céu,
os corvos e urubus
       de bicos resistente
laceram as entranhas humanas
       depois voam e as deixam penduradas
       em árvores secas.
O sangue dos combatentes.
        escurece na grama
e contra isso os generais
        nada podem fazer.
Lembrem-se, então,
       que as armas
       são os instrumentos
       do mal
e deveriam ser apenas
       o último recurso
      do homem sábio. 
 
 

 

 

A transparência do Rio Xin

O rio Xin
         é tão puro

que purifica o coração
        só de olhá-lo.
Não se pode compará-lo
        com os outros rios.
Eu me pergunto
         qual o segredo
         de sua pureza.
Se um homem anda na margem,
         é como se ele atravessasse
        um espelho luminoso,
Se um pássaro o sobrevoa
         é como se ele voasse
         por cima de uma tela de cristal,
E no entanto, quando ao crepúsculo
         ecoa o pio das gruas,
ouve-se assim mesma a nostalgia
         do viajante solitário. 
 

2011-10-09 09:38:41





Canção do outono

 

 

 

Baladas das quatro estações : verão

Por milhas e milhas,
ao redor do Lago do Espelho,
proliferam lírios de lotus
desabrochados de pouco
Entramos no Quinto mês e
Xi Shi os colhe entre sorrisos,
Enquanto as pessoas reúnem-se
 às margens do Youye
Seu barco nem espera
que a lua apareça, e volta
Ao palácio de You,
em meio a suspiros amorosos.
 


 
Canção no meio de uma noite de outono

Chang-an.
         brilha uma lua pálida;
Em milhares de batedouros
          batem roupa
E o vento de outono
          sopra em meu coração,
Tudo me faz lembrar
         do Passo de Jade.
Oh, quando os tártaros,
          finalmente serão vencidos
Para que meu amado
          volte de tão longe!
 
 
Baladas das quatro estações: inverno

Anunciaram
          que o correio parte
          amanhã de manhã.
Ela passa a noite
           costurando a roupa
          do guerreiro.
Seus dedos
           seguram a custo
           a agulha gélida .
Como ela consegue
          manter firme
          a tesoura?
Acabado o trabalho,
         ela o envia o que fez
          ao seu destino.
Quanto tempo
          para chegar
          onde estão os guerreiros?
 

 

Canção do outono

Não quer mais se mostrar.
O luar banha
A cidade de Chang’an
O bater de roupas
em dez mil casas
mistura-se ao uivo contínuo
do vento outonal.
Todas as mulheres
         no seu coração
         estão no Passo de Jade:
Quando os bárbaros, enfim,
serão vencidos
e nossos maridos
voltarão da guerra?

2011-10-09 09:41:29





Versões diversas

 

 

 

The River Merchant’s Wife


While my hair was still cut straight across my forehead
I played about the front gate, pulling flowers.
You came by on bamboo stilts, playing horse,
You walked about my seat, playing with blue plums.
And we went on living in the village of Chokan:
Two small people, without dislike or suspicion.
At forteen I married My Lord you.
I never laughed, being bashful.
Lowering my head, I looked at the wall.
Called to, a thousand times, I never looked back.

At fifteen I stopped scowling,
I desired my dust to be mingled with yours
Forever and forever and forever.
Why should I climb the look out?

At sixteen you departed,
You went into far Ku-to-en, by the river of swirling eddies,
And you have been gone five months.
The monkeys make sorrowful noise overhead.

You dragged your feet when you went out.
By the gate now, the moss is grown, the different mosses,
Too deep to clear them away!
The leaves fall early this autumn, in wind.
The paired butterflies are already yellow with August
Over the grass in the West garden;
They hurt me. I grow older.
If you are coming down through the narrows of the river Kiang,
Please let me know beforehand,
And I will come out to meet you
As far as Cho-fu-Sa.

Tr. Ezra Pound

 

 

My hair had hardly covered my forehead.
I was picking flowers, paying by my door,
When you, my lover, on a bamboo horse,
Came trotting in circles and throwing green plums.
We lived near together on a lane in Ch’ang-kan,
Both of us young and happy-hearted.
...At fourteen I became your wife,
So bashful that I dared not smile,
And I lowered my head toward a dark corner
And would not turn to your thousand calls;
But at fifteen I straightened my brows and laughed,
Learning that no dust could ever seal our love,
That even unto death I would await you by my post
And would never lose heart in the tower of silent watching.
...Then when I was sixteen, you left on a long journey
Through the Gorges of Ch’u-t’ang, of rock and whirling water.
And then came the Fifth-month, more than I could bear,
And I tried to hear the monkeys in your lofty far-off sky.
Your footprints by our door, where I had watched you go,
Were hidden, every one of them, under green moss,
Hidden under moss too deep to sweep away.
And the first autumn wind added fallen leaves.
And now, in the Eighth-month, yellowing butterflies
Hover, two by two, in our west-garden grasses
And, because of all this, my heart is breaking
And I fear for my bright cheeks, lest they fade.
...Oh, at last, when you return through the three Pa districts,
Send me a message home ahead!
And I will come and meet you and will never mind the distance,
All the way to Chang-feng Sha.

 



Bebendo, sozinho, ao luar


Um jarro de vinho entre as flores.
Bebo só. Ninguém me acompanha -
Então, ergo o copo: lua, tu que brilhas,
Traz minha sombra, seremos três.
Pena, a lua não bebe vinho.
E minha sombra só sabe me seguir.
Eu canto. A lua me encoraja.
Eu danço. Minha sombra tropeça.
Sim, nós éramos bons amigos,
E brindávamos, enquanto era primavera...
E bêbado, cada um seguiu seu caminho.
Entre o céu e a terra viajamos sempre juntos
E vamos marcar encontro na longínqua via-láctea.

 

 

 

Mientras bebo, solo, a la luz de la luna

Un vaso de vino entre las flores:
bebo solo, sin amigo que me acompañe.
Levanto el vaso e invito a la luna:
con ella y con mi sombra seremos tres.
Pero la luna no acostumbra beber vino,
y mi perezosa sombra sólo sabe seguirme.
Festejemos, con mi amiga luna y mi sombra esclava,
mientras aún es primavera.
En las canciones que entono vibran rayos lunares;
en la danza que ensayo mi sombra se aferra y deshace.
Los tres juntos, antes de beber, holgábamos;
ahora, ebrios, cada cual va por su lado.
¡Regocijémonos muchas horas todavía,
en nuestro extraño festín inanimado,
para encontrarnos al fin en el Rio de las Nubes!

 

 

 

Drinking alone with the moon


Um jarro de vinho entre as flores.
Bebo só. Ninguém está comigo -
Então, ergo o copo: “lua, tu que brilhas,
Traz minha sobra, seremos três”.
Pena, a lua é incapaz de beber
E minha sombra só sabe me seguir.
Eu canto. A lua me encoraja.
Eu danço. Minha sobra então tropeça.
Pelo que me lembro, éramos bons companheiros,
Mas, ainda por momentos, tenho esses amigos
Eles brindam comigo enquanto é primavera...
E de repente estou bêbado, cada um segue seu caminho.
¡Regocijémonos muchas horas todavía,
en nuestro extraño festín inanimado,
para encontrarnos al fin en el Rio de las Nubes!

 

 

A Farewell to a Friend


With a blue line of mountains north of the wall,
And east of the city a white curve of water,
Here you must leave me and drift away
Like a loosened water-plant hundreds of miles....
I shall think of you in a floating cloud;
So in the sunset think of me.
...We wave our hands to say good-bye,
And my horse is neighing again and again.




Farewell To A Friend

Blue mountains to the north of the walls,
White river winding about them;
Here we must make separation
And go out through a thousand miles of dead grass.

Mind like a floating wide cloud,
Sunset like the parting of old acquaintances
Who bow over their clasped hands at a distance.
Our horses neigh to each others
as we are departing.

tr. Ezra Pound

 

 

Seeing a Friend Off

Green mountains range beyond the northen wall.
White water rushes round the eastern town.
Right here is where, alone and restless, he
Begins a journey of a thousand miles.

While travelers’ intents are fleeting clouds,
A friend’s affection is a setting sun.
He waves good-bye, and as he goes from here,
His dappled horse lets out a lonely neigh.

 

 

Through the Yangzi Gorges

From the walls of Baidi high in the coloured dawn
To Jiangling by night-fall is three hundred miles,
Yet monkeys are still calling on both banks behind me
To my boat these ten thousand mountains away.



Al alba dejo Baidi, alto entre arreboles:
He de llegar abajo, hasta Kia-ling, antes de que pardee.
Entre los farallones chillar sin fin de monos.
Diez mil rabiones desciende mi chalupa.

 

A Farewell to Secretary Shuyun at the Xietiao Villa in Xuanzhou

Offert à un ami
qui partait pour un long voyage
Le jour d’hier qui m’abandonne, je ne saurais le retenir ;
Le jour d’aujourd’hui qui trouble mon cœur, je ne saurais en écarter l’amertume.
Les oiseaux de passage arrivent déjà, par vols nombreux que nous ramène le vent d’automne.
Je vais monter au belvédère, et remplir ma tasse en regardant au loin.

Je songe aux grands poètes des générations passées ;
Je me délecte à lire leurs vers si pleins de grâce et de vigueur.
Moi aussi, je me sens une verve puissante et des inspirations qui voudraient prendre leur essor ;
Mais pour égaler ces sublimes génies, il faudrait s’élever jusqu’au ciel pur, et voir les astres de plus près.

C’est en vain qu’armé d’une épée, on chercherait à trancher le fil de l’eau ;
C’est en vain qu’en remplissant ma tasse, j’essaierais de noyer mon chagrin.
L’homme, dans cette vie, quand les choses ne sont pas en harmonie avec ses désirs,
Ne peut que se jeter dans une barque, les cheveux au vent, et s’abandonner au caprice des flots.


Since yesterday had to throw me and bolt,
Today has hurt my heart even more.
The autumn wildgeese have a long wind for escort
As I face them from this villa, drinking my wine.
The bones of great writers are your brushes, in the School of Heaven,
And I am a Lesser Xie growing up by your side.
We both are exalted to distant thought,
Aspiring to the sky and the bright moon.
But since water still flows, though we cut it with our swords,
And sorrows return, though we drown them with wine,
Since the world can in no way answer our craving,
I will loosen my hair tomorrow and take to a fishingboat.

 

 

 

Parting at a Wine-shop in Nanjing



A wind, bringing willow-cotton, sweetens the shop,
And a girl from Wu, pouring wine, urges me to share it
With my comrades of the city who are here to see me off;
And as each of them drains his cup, I say to him in parting,
Oh, go and ask this river running to the east
If it can travel farther than a friend’s love!

 

Endless Yearning I


"I am endlessly yearning
To be in Changan.
...Insects hum of autumn by the gold brim of the well;
A thin frost glistens like little mirrors on my cold mat;
The high lantern flickers; and. deeper grows my longing.
I lift the shade and, with many a sigh, gaze upon the moon,
Single as a flower, centred from the clouds.
Above, I see the blueness and deepness of sky.
Below, I see the greenness and the restlessness of water....
Heaven is high, earth wide; bitter between them flies my sorrow.
Can I dream through the gateway, over the mountain?
Endless longing
Breaks my heart."





Bringing in the Wine
Chanson à boire




Seigneur, ne voyez-vous donc point les eaux du fleuve Jaune ?
Elles descendent du ciel et coulent vers la mer sans jamais revenir 1.
Seigneur, ne regardez-vous donc point dans les miroirs qui ornent votre noble demeure,
Et ne gémissez-vous pas en apercevant vos cheveux blancs ?

Ils étaient ce matin comme les fils de soie noire,
Et, ce soir, les voilà déjà mêlés de neige.
L’homme qui sait comprendre la vie doit se réjouir chaque fois qu’il le peut,
En ayant soin que jamais sa tasse ne reste vide en face de la lune2.

Le ciel ne m’a rien donné sans vouloir que j’en fasse usage ;
Mille pièces d’or que l’on disperse pourront de nouveau se réunir.
Que l’on cuise donc un mouton, que l’on découpe un bœuf, et qu’on soit en joie ;
Il faut qu’ensemble aujourd’hui, nous buvions d’une seule fois trois cents tasses3.

Les clochettes et les tambours, la recherche dans les mets ne sont point choses nécessaires,
Ne désirons qu’une longue ivresse, mais si longue qu’on n’en puisse sortir.
Les savants et les sages de l’Antiquité n’ont eu que le silence et l’oubli pour partage ;
Il n’est vraiment que les buveurs dont le nom passe à la postérité.

 

 

 

Meditação


See how the Yellow River’s waters move out of heaven.
Entering the ocean, never to return.
See how lovely locks in bright mirrors in high chambers,
Though silken-black at morning, have changed by night to snow.
...Oh, let a man of spirit venture where he pleases
And never tip his golden cup empty toward the moon!
Since heaven gave the talent, let it be employed!
Spin a thousand pieces of silver, all of them come back!
Cook a sheep, kill a cow, whet the appetite,
And make me, of three hundred bowls, one long drink!
...To the old master, Cen,
And the young scholar, Danqiu,
Bring in the wine!
Let your cups never rest!
Let me sing you a song!
Let your ears attend!
What are bell and drum, rare dishes and treasure?
Let me be forever drunk and never come to reason!
Sober men of olden days and sages are forgotten,
And only the great drinkers are famous for all time.
...Prince Chen paid at a banquet in the Palace of Perfection
Ten thousand coins for a cask of wine, with many a laugh and quip.
Why say, my host, that your money is gone?
Go and buy wine and we’ll drink it together!
My flower-dappled horse,
My furs worth a thousand,
Hand them to the boy to exchange for good wine,
And we’ll drown away the woes of ten thousand generations!

Veja como as águas do Rio Amarelo descem do céu
E entram no oceano sem nunca retornarem.
Não olhe os espelhos brilhantes que ornam a sua casa,
Verá que nevou em seus cabelos que eram negros ainda ontem..
O homem que ama a vida deve se alegre sempre que puder,
E que nunca erga vazia sua taça dourada para a lua!
Se o céu lhe foi benevolente, por que não aproveitar essas benesses?
Mil peças de prata dispersadas podem de novo se reunir,
Cozinhe uma ovelha, abata uma vaca, sacie o apetite,
E faça de centenas de taças um longo drinque.
Para o velho mestre, Cen,
E ao seu discípulo Danqiu,
Tragam o vinho!
Que suas taças nunca descansem!
Vou cantar uma canção para vocês
Peço por favor, escutem.
O que são sinos e tambores, iguarias raras e tesouros?
Quero ficar sempre bêbado sem nunca voltar à razão!
Homens sóbrios de outrora e os sábios foram esquecidos,
Apenas os borrachos são famosos o tempo todo.
O príncipe Chen pagou em um banquete no Palácio da Perfeição
Milhares de moedas por uma pipa de vinho, com muitos um sorriso e um sarcasmo.
Por que diz, meu anfitrião, que seu dinheiro se foi?
Vai e compra vinho e vamos bebê-lo juntos!
Meu cavalo pampeiro
Minhas peles que valem muito
Entregue-o ao atendente em troca de bom vinho
E nós vamos afogar o desgosto de milhares de gerações.

 

 

 

Sozinho olhando a montanha


Os pássaros já se foram no bater das asas.
Suave, veio uma nuvem e já desapareceu.
Estamos sós, frente a frente, e nos olhamos,
Sem nos cansarmos, a montanha e eu.

Ante el monte Ching-t´ing
Pájaros que se pierden en la altura.
Pasa una nube, quieta, a la deriva.
Solos y frente a frente, el monte y yo
No nos hemos cansado de mirarnos.

 

Alone Looking at the Mountain

All the birds have flown up and gone;
A lonely cloud floats leisurely by.
We never tire of looking at each other
Only the mountain and I.






In Spring



Your grasses up north are as blue as jade,
Our mulberries here curve green-threaded branches;
And at last you think of returning home,
Now when my heart is almost broken....
O breeze of the spring, since I dare not know you,
Why part the silk curtains by my bed?
A grama, ao norte, é azul como o jade
Nossas amoreiras curvam-se no enleio dos ramos
E você pensa finalmente voltar para casa
Agora, que meu coração está quase partido.
Brisa da primavera, eu não vou te conhecer
Por que então agitas as cortinas do meu quarto?

 


A Message to Meng Haoran



Master, I hail you from my heart,
And your fame arisen to the skies....
Renouncing in ruddy youth the importance of hat and chariot,
You chose pine-trees and clouds; and now, whitehaired,
Drunk with the moon, a sage of dreams,
Flower- bewitched, you are deaf to the Emperor....
High mountain, how I long to reach you,
Breathing your sweetness even here!


Maître, je grêle vous de mon coeur,
et votre renommée surgie aux cieux....
Renonçant dans la jeunesse vermeille à l’importance du chapeau et du chariot,
vous avez choisi des pin-arbres et des nuages; et maintenant, whitehaired,
bu avec la lune, une sauge des rêves,
fleur bewitched, vous sont sourds à l’empereur....
Haute montagne, comment I longtemps vous atteindre,
respirant votre douceur même ici!

 

 

 

Bidding a Friend Farewell at Jingmen Ferry


Sailing far off from Jingmen Ferry,
Soon you will be with people in the south,
Where the mountains end and the plains begin
And the river winds through wilderness....
The moon is lifted like a mirror,
Sea-clouds gleam like palaces,
And the water has brought you a touch of home
To draw your boat three hundred miles.



Nevegando longe, além da rota de Jingmen,
Logo estarás com tua gente do sul,
Até onde vai montanha e começa a planície
E o rio entra numa região agreste
A lua sobe no céu como um espelho
Mares de nuvens são palácios cintilantes,
E a água te dá uma ponta de saudades
Para avançar de barco mais 300 milhas.



Naviguant loin au loin du bac de Jingmen,
bientôt vous serez avec des personnes dans le sud,
où les montagnes finissent et les plaines commencent
et les vents de fleuve par le désert....
La lune est soulevée comme un miroir,
les Mer-nuages brillent comme des palais,
et l’eau vous a apporté un contact de maison
pour dessiner votre bateau trois cents milles.

 

 

Thoughts of Old Time from a Night-mooring Under Mount Niu-zhu



This night to the west of the river-brim
There is not one cloud in the whole blue sky,
As I watch from my deck the autumn moon,
Vainly remembering old General Xie....
I have poems; I can read;
He heard others, but not mine.
...Tomorrow I shall hoist my sail,
With fallen maple-leaves behind me.


Amarre nocturno
Una cala en el río del Oeste.
El cielo azul aún. Ni el jirón de una nube.
La cubierta inundada por la luna.
Los tiempos de antes: Hsieh, gran general.
Yo le hubiera leído este poema.
Otros leyó, no míos. Hoy es sombra entre sombras.
Filo de luz: el alba. Leve viento: zarpamos.
Silenciosas caín las hojas de los arces.

Esta noite, a oeste da margem do rio,
Nenhuma nuve, em todo o azul do céu.
Eu olho de meu terraço a lua de outono,
Relembrando em vão o velho General Xie...
Eu tenho poemas; eu posso ler
Ele ouviu outros, não os meus.
Amanhã alçarei minha vela 
Deixando para trás as folhas de ácer.



esta noche a al oeste del ri’o-borde
allí no es una nube en el cielo azul del conjunto,
como miro de mi cubierta la luna del otoño,
Vainly que recuerda a viejo general Xie....
Tengo poemas; Puedo leer; Él oyó otros, pero no la mina. ...
alzaré mañana mi vela,
con caído arce-dejo detrás de mí.

 

 

 

A Bitter Love



How beautiful she looks, opening the pearly casement,
And how quiet she leans, and how troubled her brow is!
You may see the tears now, bright on her cheek,
But not the man she so bitterly loves.

Como parece bonita, abrindo o estojo perolado
E como silenciosa se inclina, como seu rosto em desassossego.
Você pode agora avistar as lágrimas, que lhe brilham nas faces
Mas não o homem a que ela tão amargamente dedica seu amor.




Down Zhongnan Mountain to the Kind Pillow and Bowl of Husi


Down the blue mountain in the evening,
Moonlight was my homeward escort.
Looking back, I saw my path
Lie in levels of deep shadow....
I was passing the farm-house of a friend,
When his children called from a gate of thorn
And led me twining through jade bamboos
Where green vines caught and held my clothes.
And I was glad of a chance to rest
And glad of a chance to drink with my friend....
We sang to the tune of the wind in the pines;
And we finished our songs as the stars went down,
When, I being drunk and my friend more than happy,
Between us we forgot the world.


Le poète descend du mont Tchong-nân1
et passe la nuit à boire avec un ami
Le soir étant venu, je descends de la montagne aux teintes bleuâtres ;
La lune de la montagne semble suivre et accompagner le promeneur,
Et s’il se retourne pour voir la distance qu’il a parcourue,
Son regard se perd dans les vapeurs de la nuit.





Endless Yearning II


"The sun has set, and a mist is in the flowers;
And the moon grows very white and people sad and sleepless.
A Zhao harp has just been laid mute on its phoenix holder,
And a Shu lute begins to sound its mandarin-duck strings....
Since nobody can bear to you the burden of my song,
Would that it might follow the spring wind to Yanran Mountain.
I think of you far away, beyond the blue sky,
And my eyes that once were sparkling
Are now a well of tears.
...Oh, if ever you should doubt this aching of my heart,
Here in my bright mirror come back and look at me!"

 

 

 

A Farewell to Meng Haoran on his Way to Yangzhou


You have left me behind, old friend, at the Yellow Crane Terrace,
On your way to visit Yangzhou in the misty month of flowers;
Your sail, a single shadow, becomes one with the blue sky,
Till now I see only the river, on its way to heaven.



O templo da montanha

El santuario de la cumbre
La cumbre, el monasterio.
Ya es noche. Alzo la mano
y toco a las estrellas.
Hablo en voz baja: temo
que se despierte el cielo. 




Sono ebbro 

Quando son ebbro ignoro cielo e terra
Solo e immobile giaccio nel mio letto
Alla fine dimentico che esisto
e in quell’istante è grande la mia gioia


2011-10-09 09:57:13