CONCURSO INFANTO-JUVENIL DE HAIKAIS
2008-02-24 16:19:02



 pessoas sisudas, tradicionais, que dizem: “o haikai é algo muito profundo e só pode ser compreendido por pessoas sérias. Estudadas. Cultas". Nem todos tem essa posição. A “seriedade”do haikai não impede que ele seja também divertido e com leituras em vários níveis. Por isso mesmo é uma forma poética que tem sido aceita no mundo inteiro. Basta abrir sites na internet para encontrar atividades ligadas ao haikai da universidade às escolas fundamentais de muitos países.

Com o centenário da imigração japonesa no Brasil, o  Grêmio Haicai Ipê decidiu promover o 7° Concurso Brasileiro de Haicai Infanto-juvenil, para incentivar a prática dessa forma poética entre as crianças brasileiras.
Quem pode participar
Condiçõespara participação
Tema
 
Se você está interessado e quiser mais informações, clique aqui
 

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Nota 2 - Pipa: Lenda Japonesa
2008-02-19 02:10:15


 

 Existia no Japão, no fim do século XIII, um samurai chamado Minamoto. Sua coragem era muito grande. Tinha vencido inúmeras batalhas. Quando soprava um vento muito forte ou um furacão aproximava-se da costa, diziam que era Minamoto se aproximando. As pessoas corriam para casa e se escondiam.
Minamoto tinha um filho, de quem gostava muito. Diferente de muitos outros samurais, para quem a família não tinha importância, pensou até mesmo em deixar essa vida de guerreiro, para criar o seu filho. Ele sabia que seus inimigos procurariam, cedo ou tarde, atingir o seu filho, como forma de se vingar das batalhas perdidas para Minamoto.
Não demorou muito para que isso acontecesse. Pai e filho caíram numa emboscada e foram presos. Minamoto não queria deixar seu filho sozinho, pois seria muito perigoso. Implorou tanto que seus captores o exilaram junto com o filho numa ilha chamada Hachijo.
De início ele achou que era uma boa idéia. O tempo foi passando e ele se deu conta de que era impossível fugir da ilha e seu filho nunca veria o mundo lá fora, não teria amigos nem conhecidos nem nada. Minamoto então ficou muito triste.
Um dia, ele estava construindo uma pipa para brincar com seu filho, e teve uma idéia. Se essa pipa fosse bem grande e bem forte, poderia amarrar nela seu filho e soltá-la na direção de Edo, como se chamava Tóquio naquela época. E tudo estava a seu favor: havia bambuais em Hachijo, matéria indispensável para armar a estrutura das pipas.
Assim ele fez. E numa tarde em que os ventos uivavam sobre a ilha, ele despediu-se do filho do alto de uma colina, de onde se avistava o mar, com um azul indistinto de um outro azul, o do céu. Logo a pipa ergueu-se no ar, subiu no céu, e Minamoto foi dando linha, dando linha, e quando mais linha não havia, arrebentou-a.
A história conta que a pipa fez uma longa viagem, no meio de torvelinhos e uivos do vento, fugindo da chuva, dos raios traiçoeiros, e se dirigindo para a baía de Tóquio, aonde chegou num dia particularmente brilhante. O vento amainou e a pipa começou a descida, pousando suavemente sobre um pessegueiro florido.
Os livros não têm registros sobre o que aconteceu depois. Uns dizem que o filho de Minamoto foi adotado pelo proprietário do pomar de pessegueiros, entrando, mais tarde, para a marinha japonesa. Um dia, voltou à ilha em um navio de guerra e libertou seu pai. Outros dizem que o filho de Minamoto foi esquecido, porque nunca mais se preocupou com seu pai. Por isso, em todas as versões dessa lenda, nunca aparece o nome do filho.


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Nota 3 - O general chinês
e a estratégia das pipas

2008-02-19 02:04:50


 Há cerca de 2200 anos, ou seja, no ano 169 antes da nossa era, existia na China um general chamado Han Xin. Ele iniciou uma revolta contra um imperador tirano, que cobrava impostos muito altos, causando a morte de milhares de súditos. Han Xin cercou então o palácio do imperador e procurou um jeito de atacá-lo sem sofrer muitas perdas.
Se usasse um túnel, pensou, poderia atacar de surpresa o exército do imperador, com grandes chances de sair vitorioso, apesar de ter um exército menos numeroso e não estar bem armado.
Começou então a escavação, mas defrontou-se com um problema técnico. Quanta centena de metros deveria cavar até chegar por baixo do pátio do palácio? Esse conhecimento era muito importante. Os seus soldados poderiam achar que já tivessem cavado o bastante e, ao sair, se veriam ainda diante das muralhas do palácio, debaixo de uma chuva de flechas ou de óleo fervente.
Han Xin decidiu então construir uma pipa e soltá-la na direção do palácio do Imperador.
Quando a pipa ficou sobre o palácio, ele fez uma marca na linha e trouxe a pipa de volta. A seguir, mediu a extensão da linha do cabresto da pipa até a marca que tinham feito. Calculou quantos metros havia, transmitiu essas informações aos soldados que cavavam o túnel e, dias depois, atacou o palácio numa noite sem lua.
O plano deu certo. Han Xin obteve a vitória. O cruel imperador perdeu o trono. Essa vitória marcou o início da Dinastia Han, que reinou na China por cerca de 200 anos.
No aniversário dessa batalha, o céu chinês tinha durante o dia tantas pipas estreladas quanto, de noite, estrelas que mais pareciam pipas luminosas. Dizem que atrás do trono o novo imperador pendurou uma gigantesca pipa na forma de um dragão.


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Nota 4 - Pipas e Alexander Wilson
2008-02-19 01:52:33


 O cientista escocês Alexander Wilson construiu em 1749 diversas pipas, amarrou-as uma nas outras de forma engenhosa, formando um trem em que os vagões eram pipas, e as soltou no céu. Wilson não era apenas alguém que passava o tempo inventando formas e cores dançantes na ponta de uma linha. As pipas eram numerosas, atadas a um único fio, de forma que ficassem em alturas diferentes. Cada uma delas trazia um termômetro. Dessa forma, Wilson pôde saber se eram diferentes as temperaturas conforme a altura em que se encontrava o termômetro. As pipas do Prof. Alexander Wilson subiram mais de mil metros no céu e as observações desse cientista da Universidade de Glasgow foram um grande passo para se conhecer caprichos ou leis da natureza.


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Nota 5 - Pipas e Benjamim Franklin
2008-02-19 01:45:33


 

Em 1752, neste mesmo mês, quem morasse em Filadelfia, na costa leste, veria um senhor respeitável correndo contra o vento para empinar pandorga.
Esse homem era Benjamim Franklin e ele estava naquele momento trabalhando em um projeto científico. Ele e seu filho construíram uma pipa em forma de losango e a empinaram pouco antes de uma tempestade, com a linha atada numa chave comum, de metal. Pouco depois Benjamin Franklin observou que fios de seda amarrados à chave estavam para cima, como se estivessem arrepiados. Então ele encostou o dedo na chave e levou um choque.
Benjamin Franklin queria provar que o raio tem a mesma forma da eletricidade estática, pois, na sua experiência, o metal havia atraído a energia que havia nas nuvens. E que era possível descarregar a eletricidade das nuvens através de um condutor apropriado. Parte dessa experiência foi usar metal na parte superior da vareta vertical da pipa. Esse metal atrairia a eletricidade das nuvens, conduzindo-a a parte inferior da linha de seda. Benjamin Franklin segurava-a, protegendo sua mão com uma fita isolante. Para completar a experiência, ele pôs a ponta dessa linha que segurava dentro de uma Garrafa de Leyden, ou seja, um dispositivo capaz de armazenar eletricidade.
Em outras palavras, ele retirava eletricidade das nuvens e a guardava nessa garrafa. Não só a eletricidade dos raios era similar à eletricidade estática, como também ele poderia dar uma direção a essa eletricidade através de um fio condutor. Estava a um passo do pára-raio. Dias antes, tinha imaginado instalar uma vareta no alto de uma torre de igreja e amarrar nessa vareta um fio, trazendo-o até o chão. Talvez essa vareta – ele pensava – atrairia o raio, que desceria pelo fio e aterraria a descarga de eletricidade. Se essa experiência funcionasse, pouparia muitas vidas e muito medo na população, pois muitas pessoas ainda acreditavam que raios e relâmpagos eram apenas uma expressão da cólera de algum deus coxo e ranzinza. Benjamin Franklin imaginou também outras utilidades para as pipas. Poderiam, por exemplo, ser utilizadas para puxar embarcações, trenós e mesmo charretes.

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Nota 6 - Pipas e Graham Bell
2008-02-19 01:32:48


  

O inventor do telefone, Graham Bell, também se interessou pelas pipas. Ele procurava materiais e formas que pudessem subir ao céu, mas que ao mesmo tempo fossem mais pesadas do que o ar. Essa vontade de criar pipas capazes de carregar seres humanos também não era nova. Uma história japonesa de quase 2.500 anos conta sobre o costume dos marinheiros amarrarem alguém numa pipa gigantesca, antes da partida dos navios. Consideravam que a viagem seria exitosa caso a pipa subisse e a vítima voltasse à terra sã e salva.
Não eram esses, porém, os propósitos do cientista Graham Bell. O que ele queria? Construir uma pipa de caixas ou de cones, ao mesmo tempo fortes, rígidas, tridimensionais, com um tipo de material leve o suficiente para voarem a grandes alturas.
O resultado foi uma pipa em forma de tetraedro, coberta por tecido, grande ou pequena conforme o número de tetraedros utilizados, integrando um único conjunto. Dizem que ele chegou a construir uma com quase 4 mil peças.
As experiências de Graham Bell duraram de 1890 a 1940, levando instrumentos meteorológicos que traziam preciosas informações sobre temperatura, velocidade do vento, umidade ou pressão barométrica.


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Nota 7 - Irmãos Wright e Santos Dumont
2008-02-19 01:21:28


 Os norte-americanos e os brasileiros sempre discordam quando se trata de saber quem inventou o aeroplano. Os norte-americanos dizem: “claro, os irmãos Wright, em 1903”. Os brasileiros respondem: “não, foi o brasileiro Alberto Santos Dumont, em 1906, quando dirigiu o 14-bis”. Os norte-americanos sorriem: “1903 é anterior a 1906. A glória é de nossos irmãos Wright. Em 1904 eles já tinham registrado a patente de suas descobertas na Europa”. Ouvindo isso, os brasileiros sorriem: “as proezas dos irmãos Wright, de 1903, não foram demonstradas de forma convincente e os documentos provando essa experiência não resistem a um exame mais apurado”.
Se há discordância no Brasil e nos Estados Unidos quanto ao primeiro a voar num engenho mais pesado do que o ar, há concordância no mundo inteiro - e também nos dois países - que tanto Santos Dumont quanto os Irmãos Wright foram notáveis pioneiros da aviação. Essas pessoas estão também de acordo que alguns dos primeiros passos para a descoberta dos aeroplanos foram a observação do comportamento do vôo dos pássaros e das pipas.
De um lado, Santos Dumont. Ele mesmo, nascido na antiga cidade de Palmira, Minas Gerais. Ele, depois, em fazendas de café que seus pais tinham em São Paulo. Ele, nos seus estudos na Escola de Minas de Ouro Preto. Do outro lado, Wilbur e Orville Wright, na cidade Kitty Hawk, na Carolina do Norte. Eles, em vários lugares dos Estados Unidos. E, finalmente, tanto Santos Dumont quanto os irmãos Wright, correndo, agitados no fim do século XIX, empinando pipas. E, finalmente, anos depois, quando já eram adultos, observando essas mesmas pipas como precursoras da aviação.
No caso de Santos Dumont, que nos interessa mais, ele tinha ido morar na França com os seus pais. Depois de realizar diversas experiências com balões e dirigíveis, ele pilotou o 14 Bis em 1906, diante de um público numeroso: o aeroplano 14 Bis voou 60 metros, a uma altura de dois a três metros. Era a primeira vez que isso acontecia na Europa e no mundo, naquelas circunstâncias, ou seja, uma máquina motorizada, mais pesada do que ar, em demonstração pública, levantando vôo de uma pista comum e munido de um equipamento de pouso fixo.


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Pipas: Haikais de Koibayashi Issa
2008-02-18 21:38:08


Pipa do enteado
De papel enegrecido
fácil de localizar
1822
 
O enteado
É dele,
A pipa remendada
 
1823

  

No mesmo céu –
As grandes pipas imperiais 
E também as pequenas
1816
Também a pipa 
Do cantor de rua,
Subindo e subindo
1811

  

No céu
Pipas grandiosas
E humildes
1816
Ano Novo
Também uma pobre pipa
No céu de Edo
1810

 

 

Bela pipa no alto
Tremor de um mendigo
Em baixo
1820

 

 
Um menino de rua
Caminha
soltando
Uma pipa

1820
 
Subúrbio de Kioto
Mesmo empinar pipas
É difícil

  

Uma pipa altiva

Sobe do barraco

Do mendigo

1811

 

Dia de sol e chuva
Salpicaram a pipa...
Parece...
1795
 

  

  

Casas soltando pipas: 
Três...quatro....
Agora duas

1795

 

Campos verdes de arroz
Animadas,
As pipas sobem
1816

 

Cidadezinha...
Pipa subindo,
Devagar e sempre
1816

 

 

 

Pipas de Edo
Desde cedo, as cabeças,
Meneiam, meneiam
Atrás do rabo das pipas 
Voltas e mais voltas
Do cachorro 
1814

 

Imitando o dono
Os olhos do cachorro
Fixos na pipa
1814

  

Foge, pipa!
Inquieto te olha
O cachorro

 

1816

Pipa de Ano Novo
Como a aprovação do treinador,
Um macaco a soltá-la.

1807

Atada às costas
Do macaco
A linha da pipa

 

 

Com o rabo da pipa
Na boca
A gárgula

 
1822

 

 

 

Chama por seus pais,
Enquanto sua pipa sobe
O
pequeno peregrino
1816
 
 

 


Uma pipa -
Sobe do templo de Mokubo,
Fim de tarde
1805

 

 
 

 

 

 

Até as pipas
Da autoridade provincial
Têm a boca suja
 
1816

 

 

 
 
Abraçada à pipa
A menina
Em sono profundo
   
Segurando a linha
da
pipa
a
criança adormecida
1822

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Nota 14
Filho de Minimoto amarrado numa pipa

2008-02-18 20:52:16




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Nota 22 - Bertolt Brecht
Canção da Pipa

2008-02-18 20:45:06


Canção da pipa
 
Voa, voa, pequena pipa
Sobe ao
céu, abre as asas,
Junte-se às
nuvens no horizonte,
Sobre as nossas pobres casas.

Você, pipa, amarrada está
Em linha, vareta e papel,
Voa,
agora, mostra as garras,
Livre nesse azul do céu.

Nós mesmos a construímos,
E torcemos
por você, contentes!
Ah, precursora dos
aeroplanos,
Vire-se
então e os cumprimente.
Drachenlied

Fliege, fliege, kleiner Drache
Steig mit Eifer in die Lüfte
Schwing dich, kleine blaue Sache
Über unsre Häusergrüfte!

Wenn wir an der Schnur dich halten
Wirst du in den Lüften bleiben
Knecht der sieben Windsgewalten
zwingst du sie, dich hochzutreiben.

Wir selbst liegen dir zu Füßen!
Fliege, fliege, kleiner Ahne
Unsrer großen Aeroplane
Blick dich
um, sie zu begrüßen!


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Notas 17 a 21
Pipas em Poemas Chineses

2008-02-18 20:36:12


Gao Pian,  umpoeta da época Tang (618-907) da nossa era escreveu o poema "Pipas",  falando sobre o costume de tinham os chineses de colocar instrumentos de cordas ou de percussão nas pipas. O vento soprava e, durante a noite, essas pipas espalhavam uma estranha música sobre o campo e a cidade.

A música flutua no silêncio da noite
E confia-se aos
ventos que estão a soprar
Mas a melodia é tão débil e distante, tão difícil de ser percebida
Que súbito o vento inconstante a troca por outra melodia.

 Pei Xing Chuan, um poeta chinês contemporâneo, fala sobre a feira de pipas que existia sob as muralhas de Weifang, na parte leste da cidade, durante o período Qing, no seu poema Ode a Wei 


No mercado de pipas, a leste das muralhas da cidade,
os turistas estão
ocupados - examinam, compram.
As
novidades chamam a atenção de quem passa.
Emparelhadas,
borboletas e pipas voam alto no céu.


Ou ainda o poeta Guo Lin, da Dinastia Qing (1644-1911), fala de Wei, a famosa cidade das pipas, no poema "Primavera". Em Wei, existem hoje mais de trinta fábricas de pipas.

 
No centésimo quarto dia do ano
A
primavera foi saindo do rio:
Meninos soltando pipas, meninas brincando de balanço
a
grama ficando verde e as andorinhas voando em bando.

Ou "Ode às Pipas", de Yu Li Chen, poeta chinês contemporâneo:
 
De onde vêm essespássaros multicoloridos?
Eles voam no azul, para cima e para baixo.
E se
não estiverem presos numa linha
Voarão
mais e mais, até uma terra distante.

E finalmente Wu Hao Shan, poeta da Dinastia Qing (1644-1911), que aos 40 anos abandona seu emprego de funcionário e decide escrever poesias, como essa, intitulada "Boca Suja". 

A brisa, indolente e branda, sopra sobre a cidade de Jin
Os
salgueiros estão verdes e o tempo é bom
As
arenas, todas elas são bem espaçosas
E as
crianças reúnem-se para um combate de pipas. 


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Nota 23 - Leonard Cohen
A pipa é a vítima

2008-02-18 19:48:25


Kite

 
Uma pipa é a vítima, esteja certo.
Você gosta dela porque ela puxa,
Dócil o bastante para chamá-lo de mestre,
Forte o bastante para chamá-lo de louco;
Porque ela vive
Como um falcão treinado em desespero
No
alto e doce ar,
E
você pode sempre baixá-la
Para domá-la na sua gaveta.

Uma
pipa é um peixe que você pegou
Num
lago onde nenhum peixe chega,
Assim você cauteloso brinca com ele, por longo tempo,
E
espera que ele não desista
Ou que o vento morra.

Uma
pipa é o último poema que você escreveu
Assim você o entrega ao vento,
Mas não o deixa partir
Até que alguém encontre
Algo para você fazer.

Uma
pipa é um contrato de glória
Que deve ser feito com o sol,
Assim você faz amizades com o campo,
Com o rio e com o vento.
Então você brinca durante toda a fria noite de antes,
Sob a lua viageira, sem linha,
Até que você se torne valeroso e lírico e puro.

 
A kite is a victim you are sure of.
You love it because it pulls
gentle enough to call you master,
strong enough to call you fool;
because it lives
like a desperate trained falcon
in the high sweet air,
and you can always haul it down
to tame it in your drawer.

A kite is a fish you have already caught
in a pool where no fish come,
so you play him carefully and long,
and hope he won't give up,
or the wind die down.

A kite is the last poem you've written,
so you give it to the wind,
but you don't let it go
until someone finds you
something else to do.

A kite is a contract of glory
that must be made with the sun,
so you make friends with the field
the river and the wind,
then you pray the whole cold night before,
under the travelling cordless moon,
to make you worthy and lyric and pure
 

 Vídeo Youtub A Kite is a Victim aqui

 Intrepretação livre, aqui

 

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Nota 24 - As boas varetas de bambu
2008-02-18 19:22:52


 As boas taquaras são raras hoje em dia, com  muros de tijolos substituindo  cercas de bambus e sebes vivas. Mas restam ainda algumas, como as da cerca de Dona Maria Lavadeira, ao lado da Banhas Piau, na Vila Taboca, nesse distante 1954. E depois de roubar uma, com todo cuidado, tudo fica maissimplesVocê esquece num instante as dificuldades anteriores, como a de conseguir dinheiro para comprar dois carretéis de linha de sapateiro número 24, as caminhadas para cima e para baixo na Afonso Pena, em busca de um bompapel de seda, a impossibilidade de se dedicar integralmente à obramenino faz isso, menino faz aquilo! Na segunda fase do esqueleto da pipa propriamente dito, seguro(a) o cabo da faca com a mãoes querda, bat(o)a no lado cego da lâmina com a direita. A taquara racha,claro! Lavro (e) as duas varetas, primeiro a da coluna vertical, depois a do arco horizontal, levemente inclinado. Examino(e) tudo com cuidado, um desequilíbrio na distribuição de peso condena a pipa para sempre, graciosa, sim, mas inapta para grandes vôos, contentando-se com graçolas, requebros e piruetas sobre os fios elétricos. Pronto, a folha de seda verde foi dividida em duas, prontas para serem coladas invertidas. Agora que o grude de polvilho esfriou na trempe, uma das varetas já recebe no dorso a pasta incolor do grude, fixando-se em seguida na folha de seda. Enquanto o grude seca, furo(e) o papel de seda nos dois lados da vareta, em cima e embaixo, formando o cabresto. Um descuido pode significar algo de terrível, como a morte anônima engastanhada nos fios elétricos. como sopra o vento? Do jeito que as pipas gostam. Mas espero(e) um pouco. Deixe-a secar enquanto explora o céu. O vento agora é música. Sinal de que aprecia o resultado de seu trabalho. Corre, portanto, para empinar a pipa. A cada puxão do fio de linha, a pipa sobe Contra o Vento, no poema de . Klaus V. Dohnannyi, do livro Und sie fliegen heute noch.

 

Contra o vento,
a
cotovia
alegra-se
Contra o vento

os
falcões caçam
Contra o vento

As
pipas
sobem
Quanta coisa
 
se pode
fazer

Contra o vento!
 
Gegen den Wind
jubelt die Lerche.
Gegen den Wind
jagd der Falke.
Gegen den Wind
steigt der Drachen.
Was kann man
aus Gegenwind
alles machen

 Ilust. Rachael

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Nota 25 - Joyce Carol Oates
Poema da Pipa

2008-02-18 15:33:02


 

Original na revista Slate


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Nota 26 - Sérgio Capparelli
Diversas

2008-02-18 15:04:14


A arte de soltar pipas
 

A arte de soltar pipas
É
arte que não se ensina
Precisa um pouco de vento
E o
beijo de uma menina.

As
pipas sobem bem altas
E saem do
alcance da mão
E
quando a linha arrebenta
se vai um coração.


Desisti de
soltar pipas
Vermelhas,
verdes ou amarelas:
Empino
luas e estrelas
E subo junto com elas.

 
 Autor soltando pipa em Pequim 2007
 
 Metamorfose
 
 
A pipa
Morre no mar
E renasce estrela.
 
A pipa
Cai no deserto
E renasce íbis.
 
A pipa
Cai na mata
E renasce ogre.
 
A pipa
Cai no poço
E renasce abismo

 

 

As pipas
 
 
No festival
De pipas,
a
lua chega
bem cedo.
 
Pipas dengosas
Pipas serenas
Com rabiolas
De açucenas.
 
Voam ousadas
Na brisa amena
sobem com graça
Do alto acenam.
 
Soltas no céu,
As desgarradas
Viram estrelas
Da madrugada
 
 
 
A Lua
 
O menino aponta
Na ponta da linha,
A pipa da lua
Subindo sozinha.
 
A pipa da lua
Se faz de luar
Uma lua de pipas
no céu a brilhar.
 
A pipa aponta
Para o menino
Soltando uma pipa
Chamada Destino.

 


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Nota 26 - Gilles Vigneault
Le Grand Cerf Volant

2008-02-18 14:39:31



Un jour je ferai mon grand cerf-volant
Un côté rouge un côté blanc
Un jour je ferai mon grand cerf-volant
Un côté rouge un côté blanc... un côté tendre
Un jour je ferai mon grand cerf-volant
J'y ferai monter
vos cent mille enfants... ils vont
m'entendre
Je les vois venir du soleil levant

Puis j'attellerai les chevaux du vent
Un cheval rouge un cheval blanc
Puis j'attellerai les chevaux du vent
Un cheval rouge un cheval blanc... un cheval pie
Puis j'attellerai les chevaux du vent
Et nous irons voir tous les océans... s'ils vont en vie
Si les océans sont toujours vivants

Par dessus les bois, par dessus les champs
Un oiseau rouge un oiseau blanc
Par dessus les bois, par dessus les champs
Un oiseau rouge un oiseau blanc... un oiseau lyre
Par dessus les bois, par dessus les champs
Il nous mènera chez le
Mal méchant... pour le détruire
Bombe de silence et couteau d'argent

Nous mettrons le
Mal à feu et à sang
Un soleil rouge un soleil blanc
Nous mettrons le
Mal à feu et à sang
Un soleil rouge un soleil blanc... un soleil sombre
Nous mettrons le
Mal à feu et à sang
Un nuage
monte, un autre descend... un jour sans ombre
Puis nous raserons la ville en passant

Quand nous reviendrons le coeur triomphant
Un côté rouge un côté blanc
Quand nous reviendrons le coeur triomphant
Un côté rouge un côté blanc... un côté homme
Quand nous reviendrons le coeur triomphant
Alors vous direz : Ce sont
nos enfants... Quel est cet homme
Qui les a menés loin de leurs parents

Je remonterai sur mon cerf-volant
Un matin rouge un matin blanc
Je remonterai sur mon cerf-volant
Un matin rouge un matin blanc... un matin blême
Je remonterai sur mon cerf-volant
Et vous laisserai
vos cent mille enfants... chargés d'eux-mêmes
Pour jeter les dés dans la main du temps

 
Umdia vou construir uma grande pipa
Um lado rubro um lado branco
Um dia vou construir uma grande pipa
Um lado rubro um lado branco...um lado delicado
Um dia vou construir uma grande pipa
E nela subirão
suas cem mil crianças...elas vão me escutar
Eu as vejo vir do sol nascente.

Depois vou atrelar os cavalos do vento
Umcavalo rubro um cavalo branco
Depois eu vou atrelar os cavalos do vento
Um cavalo rubro um cavalo branco... um cavalo malhado
Depois eu vou atrelar os cavalos do vento
E iremos
pelos oceanos...para ver se ainda vivem
Se os
oceanos continuam vivos.

Por sobre os bosques por sobre os campos
Um pássaro rubro um pássaro branco
Por sobre os bosques por sobre os campos
Um pássaro rubro um pássaro branco...um pássaro lira
Por sobre os bosques por sobre os campos
Eles nos levarão onde o Mal terrível habita... e o destruiremos
Bomba de silêncio e punhal de prata.

Vamos
subjugar o Mal a ferro e sangue
Umsol rubro um sol branco.
Vamos
subjugar o mal a ferro e sangue
Um sol rubro um sol branco...um sol sombrio
Vamos
subjugar o Mal a ferro e sangue
Uma
nuvem subindo e outra descendo... diaclaro
E de
passagem arrasaremos a cidade.

Quando voltarmos de coração triunfante
Um lado rubro um lado branco
Quando voltarmos de coração triunfante
Um lado rubro um lado branco...um lado homem
Quando voltarmos de coração triunfante
Você dirá: são nossas crianças...quem foi
Que as levou para longe de seus pais

Subirei de
novo na minha pipa
Uma
manhã rubra uma manhã branca
Subirei de
novo na minha pipa
Uma
manhã rubra uma manhã branca...uma manhã pálida
Subirei de
novo na minha pipa
E deixarei
suas cem mil crianças...aos seus cuidados
Para lançar os dados na mão do tempo.



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Nota 26 - Giovanni Pascoli
L'Aquilone

2008-02-18 14:20:10


  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

C'è qualcosa di nuovo oggi nel sole,
anzi d'antico: io
vivo altrove, e sento
che
sono intorno nate le viole.

Son nate nella selva del convento
dei cappuccini, tra le
morte foglie
che al ceppo delle quercie
agita il vento.

Sirespirauna dolce aria che scioglie
le dure zolle, e
visita le chiese
di campagna, ch'erbose hanno le soglie:

un'aria d'altro luogo e d'altro mese
e d'altra vita: un'aria celestina
che regga molte bianche
ali sospese...

sì, gli aquiloni! È questa una mattina
che non c'è scuola. Siamo usciti a schiera
tra le siepi di rovo e d'albaspina.

Le siepi erano brulle, irte; ma c'era
d'autunno ancora qualche mazzo rosso
di bacche, e qualche fior di
primavera

bianco; e sui rami nudi il pettirosso
saltava, e la lucertola il capino
mostrava tra le foglie aspre del
fosso.

Or siamo fermi: abbiamo in faccia Urbino
ventoso: ognuno
manda da una balza
la
suacometaper il ciel turchino.

Ed ecco ondeggia, pencola, urta, sbalza,
risale, prende il
vento; ecco pian piano
tra un lungo dei fanciulli urlo s'inalza.

S'inalza; e ruba il filo dalla mano,
come un fiore che fugga su lo stelo
esile, e vada a rifiorir lontano.

S'inalza; e i piedi trepidi e l'anelo
petto del bimbo e l'avida pupilla
e il
viso e il cuore, porta tutto in cielo.

Più su, più su: già come un punto brilla
lassù lassù... Ma ecco
una ventata
di sbieco, ecco
uno strillo alto... - Chi strilla?

Sono le voci della camerata
mia: le
conosco tutte all'improvviso,
una dolce, una acuta, una velata...

A uno a uno tutti vi ravviso,
o miei compagni! e
te, sì, che abbandoni
su l'omero il pallor muto del
viso.

Sì: dissi soprate l'orazïoni,
e piansi: eppur, felice
te che al vento
non vedesti cader che gli aquiloni!

Tu eri tutto bianco, io mi rammento.
solo avevi del rosso nei ginocchi,
per quel nostro pregarsulpavimento.

Oh! te felice che chiudesti gli occhi
persuaso, stringendoti
sul cuore
il più
caro dei tuoi cari balocchi!

Oh! dolcemente, so ben io, si muore
la
sua stringendo fanciullezza al petto,
come i candidi suoi pètali un fiore

ancora in boccia! O morto giovinetto,
anch'io presto verrò sotto le zolle
là dove dormi placido e soletto...

Meglio venirci ansante, roseo, molle
di sudor, come dopo
una gioconda
corsa di gara per salire un colle!

Meglio venirci con la testa bionda,
che poi che fredda giacque
sul guanciale,
ti pettinò co' bei capelli a
onda

tua madre... adagio, per non farti male

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Vaca Rastreada
2008-02-14 15:52:14



 

Faz pouco surgiram os rastreadores por satélite. Primeiro, com aplicação militar. Depois, nos filmes. O homem do mal pegava umcarro e o herói ou a polícia conseguia rastreá-lo no mapa da cidade ou do país. As coordenadas eram passadas adiante e o bandido acabava preso.
Tempos depois saiu dos filmes e entrou na vida práticaPelo navegador GPS o motorista de táxi localizava no mapa eletrônico o ponto exato onde queria ir. Pelo caminho mais curto ou pelo mais seguro. Satélites rastreavam caminhões de cargas pelas rodovias; seguradoras, navios nos oceanos; e os pais rastreavam as filhas nos sofás da sala em dia de visita do namorado.
O dispositivo entrou também na pecuária. Os grandes criadores rastreavam seusanimais na fazenda, para um dia matá-los e vender sua carne à União Européia. E a União Européia gostou da idéia, e passou a exigir um histórico dos animais rastreados.
Para atender à União Européia, muitos fazendeiros rastrearam de mentirinha animais no campo de mentirinha, e receberam certificados de mentirinha de empresas de mentirinha certificadas, e a União Européia proibiu a compra de carne brasileira.
O governo apresentou agora uma lista de 500 fazendas –as que não trabalhavam de mentirinha – e a entregou à União Européia. Essa lista tem 200 fazendas a mais que a de 300 solicitadas. Agora os pecuaristas temem que essa lista se torne permanente e dizem que não podem pagar pelo que aconteceu no passadoPorque no passado os culpados eram eles...os pecuaristas.
Mas os pecuaristas, apesar de alguns erros, também têm seu lado na história. E lembram bem que se trata de uma guerra comercial, em que os pecuaristas irlandeses e do resto da União Européia puxam o tapete porque não conseguem competir em preços e qualidade com a carne brasileira.
Se o Brasil aceitar facilmente todas as exigências, logo a União Européia vai exigir rastreamento do capim que a vaca come e do ar que ela respira. E olhe bem ali: a luz está piscando! É um GPS rastreando o que estou escrevendo.

 

Ilust. Karen Finkannon

por Sérgio Capparelli

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William Blake
2008-02-06 11:16:45



A Rosa Doente
 
Oh, Rosa, estás doente
A larva invisível
Que à noite voa
Quando ruge a tormenta
 
Encontrou teu leito
De alegria púrpura
E seu escuro e secreto amor
Tua vida destrói.
 
 
The Sick Rose
 
O rose, thou art sick
The invisible worm
That flies in the nighyt,
In the howling storm
 
Hath found out thy bed
Of crimson joy
And his dark secret love
Does thy life destroy.
 
 
 
 
O Tigre
 
 
Tigre, tigre, clarão e fulgor,
Nos bosques da noite
Que mão ou olho imortal
Pôde programar tua terrível simetria?
 
Em que abismo ou céus distantes
Ardeu o incêndio dos teus olhos?
Com que asas ousas te lançar?
Que mão ousa agarrar esse fogo?
 
Que ombro, que mestria,
Urdiu as fibras de teu coração?
E quando teu coração palpitou,
Que horríveis mãos? Que horríveis pés?
 
Com que malho? Com que corrente?
E que forno forjou teu cérebro?
Em que bigorna? Com que tenaz
Teus mortais terrores ousou agarrar?
 
Quando os astros arremessaram lanças
E o céu de lágrimas banharam?
E o sorriso dele ao contemplar sua obra?
Quem fez o cordeiro, também te fez?
 
Tigre, tigre, clarão e fulgor,
Nos bosques da noite
Que mão ou olho imortal
Ousou moldar tua terrível simetria
 
 
 
The Tyger

Tyger, tyger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art
Could
twist
the sinews of thy heart?
And, when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly
terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their
tears
,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tyger, tyger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primavera
 
 
A flauta canta
E então se cala
Ave contente
A qualquer hora:
A cigarra enche
De canto o vale
E as cotovias
Em cantoria
Cantando, cantando, saudamos o Novo Ano.
 
O menino
alegria
E a menininha
Doce e pequena
Os galos cantam
E você também
Vozes felizes
Bulha de crianças
Cantando, cantando, saudamos o Novo Ano
 
Venham, ovelhinhas,
Eu aqui estou
Venham lamber
Meu alvo pescoço
E me deixa pegar
Tua suave
E também beijar
Teu suave rosto
Cantando, cantando saudamos o Novo Ano
 
Spring

 Sound the flute!
            Now it's mute!
            Birds delight,
            Day and night,
            Nightingale,
            In the dale,
            Lark in sky, -
            Merrily,
Merrily, merrily to welcome in the year.

            Little boy,
            Full of joy;
            Little girl,
            Sweet and small;
            Cock does crow,
            So do you;
            Merry voice,
            Infant noise;
Merrily, merrily to welcome in the year.

            Little lamb,
            Here I am;
            Come and lick
            My white neck;
            Let
me
pull
            Your soft wool;
            Let
me
kiss
            Your soft
face
;
Merrily, merrily we welcome in the year.
 
 
 
A Mosca
 
Pequena Mosca,
Distraída, minha mão
Interrompeu
Seu vôo de verão.
 
Sou ou não sou,
Uma mosca como tu?
És ou não és,
Um homem como eu?
 
Porque danço,
Bebo e canto,
Atéque uma mão cega
Minha asa esmague.
 
Se pensamento é vida
Fôlego e força,
E sua ausência
Quer dizer morte,
 
Então eu sou
Uma mosca feliz
Não importa se morta,
Não importa se viva.
 

The fly

Little Fly,
Thy summer's play
My thoughtless hand
Has brushed away. 

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like
me

For I dance,
And drink, and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing. 

If thought is life
And strength and breath,
And the want
Of thought is death; 

Then am I
A happy fly.
If I live,
Or if I die.
 

por Trad. Sérgio Capparelli

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Canções
2008-02-04 10:58:03



O menino perdido
 
Pai! Pai! Aonde vai?
Não anda assim depressa,
Fala com seu filho, pai,
Senão posso me perder!
 
Noite escura, nenhum pai,
Criança de orvalho molhada
Lama funda, criança que chora
E a bruma que se dissipa.
 
                                (W. Blake)
.

 Merello

 

 

Merello

 

O menino encontrado
 
O menino perdido na lama,
Seguindo uma vaga luz,
Começa a chorar: Deus, ao lado,
Surge de branco, como seu pai.
 
Beija a criança e a conduz
Pela mão até a sua mãe
Que no vale deserto, pálida,
Chorando, seu menininho buscava
 
                                (W. Blake)
De repente
 
 
 
A ovelha dava corda no relógio
E o guarda paciente pastava
Os rios estouravam no céu
E os foguetes transbordavam.
 
Um velho, leite amolava,
E sua mulher facas bebia
Enquanto alfaiates mugiam
E as vacas costuravam.
 
Um pinguço de muitos gomos
Uma laranja que cambaleava
O palhaço que escorria na calha
E a chuva em saltos mortais.
 
A mulher desabrocha seu filho
Enquanto a rosa cantarolava
Está gelado! - disse o fogo
Estou queimando - disse a água.
   
                   (Sérgio Capparelli)     

 
Cem Passarinhas
 
Cem passarinhas
Na árvore pousaram,
Dez já voaram,
Quantos ficaram?
 
Noventa
Oitenta
Setenta
Sessenta
Cinqüenta
Quarenta
Trinta
Vinte
Dez
 
Dez passarinhas
Na árvore pousaram,
Dez já voaram
Quantas ficaram?
 
Só eu, sozinha.
 
                        (Popular Inglesa)
Dorme, menino!
 
 
 
Fecha os olhos, dorme agora,
Não chora, menino, não chora,
Quando acordar, vai escolher,
Um cavalo zaino, um cavalo baio,
Um cavalo alazão, um cavalo pardo,
Mas dorme, menino, está na hora,
Galopa até o amanhecer.
 
                Sérgio Capparelli
 
Canção de Ninar
 
 
Dorme o cachorro no fundo do pátio,
Dorme os galhos do ingazeiro,
Dorme a galinha, dormem os pintinhos,
Dorme a formiga no formigueiro
Dorme o peixe e a estrela do mar 
Dorme o sol, dorme o luar
Dorme o passarinho no jequitibá,
Dorme, menina, o sono já vem,
Dorme, eu quero dormir também.
          Sérgio Capparelli
Canção de Ninar
 
 
 
A noite corre atrás do dia
O dia corre atrás da noite
Correm no terreiro o tempo inteiro,
Dorme, meu menino, dorme...
 
(França)
 

 

Merello

 
por William Blake (O menino Perdido e O Menino Encontrado) em MAYNARD, J (org) William Balke. Poetry for Young People, Nova York, Sterling Publishing Co. Inc. 2006.

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