
Há pessoas sisudas, tradicionais, que dizem: “o haikai é algo muito profundo e só pode ser compreendido por pessoas sérias. Estudadas. Cultas". Nem todos tem essa posição. A “seriedade”do haikai não impede que ele seja também divertido e com leituras em vários níveis. Por isso mesmo é uma forma poética que tem sido aceita no mundo inteiro. Basta abrir sites na internet para encontrar atividades ligadas ao haikai da universidade às escolas fundamentais de muitos países.
Existia no Japão, no fim do século XIII, um samurai chamado Minamoto. Sua coragem era muito grande. Tinha vencido inúmeras batalhas. Quando soprava um vento muito forte ou um furacão aproximava-se da costa, diziam que era Minamoto se aproximando. As pessoas corriam para casa e se escondiam.
Minamoto tinha um filho, de quem gostava muito. Diferente de muitos outros samurais, para quem a família não tinha importância, pensou até mesmo em deixar essa vida de guerreiro, para criar o seu filho. Ele sabia que seus inimigos procurariam, cedo ou tarde, atingir o seu filho, como forma de se vingar das batalhas perdidas para Minamoto.
Não demorou muito para que isso acontecesse. Pai e filho caíram numa emboscada e foram presos. Minamoto não queria deixar seu filho sozinho, pois seria muito perigoso. Implorou tanto que seus captores o exilaram junto com o filho numa ilha chamada Hachijo.
De início ele achou que era uma boa idéia. O tempo foi passando e ele se deu conta de que era impossível fugir da ilha e seu filho nunca veria o mundo lá fora, não teria amigos nem conhecidos nem nada. Minamoto então ficou muito triste.
Um dia, ele estava construindo uma pipa para brincar com seu filho, e teve uma idéia. Se essa pipa fosse bem grande e bem forte, poderia amarrar nela seu filho e soltá-la na direção de Edo, como se chamava Tóquio naquela época. E tudo estava a seu favor: havia bambuais em Hachijo, matéria indispensável para armar a estrutura das pipas.
Assim ele fez. E numa tarde em que os ventos uivavam sobre a ilha, ele despediu-se do filho do alto de uma colina, de onde se avistava o mar, com um azul indistinto de um outro azul, o do céu. Logo a pipa ergueu-se no ar, subiu no céu, e Minamoto foi dando linha, dando linha, e quando mais linha não havia, arrebentou-a.
A história conta que a pipa fez uma longa viagem, no meio de torvelinhos e uivos do vento, fugindo da chuva, dos raios traiçoeiros, e se dirigindo para a baía de Tóquio, aonde chegou num dia particularmente brilhante. O vento amainou e a pipa começou a descida, pousando suavemente sobre um pessegueiro florido.
Os livros não têm registros sobre o que aconteceu depois. Uns dizem que o filho de Minamoto foi adotado pelo proprietário do pomar de pessegueiros, entrando, mais tarde, para a marinha japonesa. Um dia, voltou à ilha em um navio de guerra e libertou seu pai. Outros dizem que o filho de Minamoto foi esquecido, porque nunca mais se preocupou com seu pai. Por isso, em todas as versões dessa lenda, nunca aparece o nome do filho.
Há cerca de 2200 anos, ou seja, no ano 169 antes da nossa era, existia na China um general chamado Han Xin. Ele iniciou uma revolta contra um imperador tirano, que cobrava impostos muito altos, causando a morte de milhares de súditos. Han Xin cercou então o palácio do imperador e procurou um jeito de atacá-lo sem sofrer muitas perdas.
Se usasse um túnel, pensou, poderia atacar de surpresa o exército do imperador, com grandes chances de sair vitorioso, apesar de ter um exército menos numeroso e não estar bem armado.
Começou então a escavação, mas defrontou-se com um problema técnico. Quanta centena de metros deveria cavar até chegar por baixo do pátio do palácio? Esse conhecimento era muito importante. Os seus soldados poderiam achar que já tivessem cavado o bastante e, ao sair, se veriam ainda diante das muralhas do palácio, debaixo de uma chuva de flechas ou de óleo fervente.
Han Xin decidiu então construir uma pipa e soltá-la na direção do palácio do Imperador.
Quando a pipa ficou sobre o palácio, ele fez uma marca na linha e trouxe a pipa de volta. A seguir, mediu a extensão da linha do cabresto da pipa até a marca que tinham feito. Calculou quantos metros havia, transmitiu essas informações aos soldados que cavavam o túnel e, dias depois, atacou o palácio numa noite sem lua.
O plano deu certo. Han Xin obteve a vitória. O cruel imperador perdeu o trono. Essa vitória marcou o início da Dinastia Han, que reinou na China por cerca de 200 anos.
No aniversário dessa batalha, o céu chinês tinha durante o dia tantas pipas estreladas quanto, de noite, estrelas que mais pareciam pipas luminosas. Dizem que atrás do trono o novo imperador pendurou uma gigantesca pipa na forma de um dragão.
O cientista escocês Alexander Wilson construiu em 1749 diversas pipas, amarrou-as uma nas outras de forma engenhosa, formando um trem em que os vagões eram pipas, e as soltou no céu. Wilson não era apenas alguém que passava o tempo inventando formas e cores dançantes na ponta de uma linha. As pipas eram numerosas, atadas a um único fio, de forma que ficassem em alturas diferentes. Cada uma delas trazia um termômetro. Dessa forma, Wilson pôde saber se eram diferentes as temperaturas conforme a altura em que se encontrava o termômetro. As pipas do Prof. Alexander Wilson subiram mais de mil metros no céu e as observações desse cientista da Universidade de Glasgow foram um grande passo para se conhecer caprichos ou leis da natureza.

O inventor do telefone, Graham Bell, também se interessou pelas pipas. Ele procurava materiais e formas que pudessem subir ao céu, mas que ao mesmo tempo fossem mais pesadas do que o ar. Essa vontade de criar pipas capazes de carregar seres humanos também não era nova. Uma história japonesa de quase 2.500 anos conta sobre o costume dos marinheiros amarrarem alguém numa pipa gigantesca, antes da partida dos navios. Consideravam que a viagem seria exitosa caso a pipa subisse e a vítima voltasse à terra sã e salva.
Não eram esses, porém, os propósitos do cientista Graham Bell. O que ele queria? Construir uma pipa de caixas ou de cones, ao mesmo tempo fortes, rígidas, tridimensionais, com um tipo de material leve o suficiente para voarem a grandes alturas.
O resultado foi uma pipa em forma de tetraedro, coberta por tecido, grande ou pequena conforme o número de tetraedros utilizados, integrando um único conjunto. Dizem que ele chegou a construir uma com quase 4 mil peças.
As experiências de Graham Bell duraram de 1890 a 1940, levando instrumentos meteorológicos que traziam preciosas informações sobre temperatura, velocidade do vento, umidade ou pressão barométrica.
Os norte-americanos e os brasileiros sempre discordam quando se trata de saber quem inventou o aeroplano. Os norte-americanos dizem: “claro, os irmãos Wright, em 1903”. Os brasileiros respondem: “não, foi o brasileiro Alberto Santos Dumont, em 1906, quando dirigiu o 14-bis”. Os norte-americanos sorriem: “1903 é anterior a 1906. A glória é de nossos irmãos Wright. Em 1904 eles já tinham registrado a patente de suas descobertas na Europa”. Ouvindo isso, os brasileiros sorriem: “as proezas dos irmãos Wright, de 1903, não foram demonstradas de forma convincente e os documentos provando essa experiência não resistem a um exame mais apurado”.
Se há discordância no Brasil e nos Estados Unidos quanto ao primeiro a voar num engenho mais pesado do que o ar, há concordância no mundo inteiro - e também nos dois países - que tanto Santos Dumont quanto os Irmãos Wright foram notáveis pioneiros da aviação. Essas pessoas estão também de acordo que alguns dos primeiros passos para a descoberta dos aeroplanos foram a observação do comportamento do vôo dos pássaros e das pipas.
De um lado, Santos Dumont. Ele mesmo, nascido na antiga cidade de Palmira, Minas Gerais. Ele, depois, em fazendas de café que seus pais tinham em São Paulo. Ele, nos seus estudos na Escola de Minas de Ouro Preto. Do outro lado, Wilbur e Orville Wright, na cidade Kitty Hawk, na Carolina do Norte. Eles, em vários lugares dos Estados Unidos. E, finalmente, tanto Santos Dumont quanto os irmãos Wright, correndo, agitados no fim do século XIX, empinando pipas. E, finalmente, anos depois, quando já eram adultos, observando essas mesmas pipas como precursoras da aviação.
No caso de Santos Dumont, que nos interessa mais, ele tinha ido morar na França com os seus pais. Depois de realizar diversas experiências com balões e dirigíveis, ele pilotou o 14 Bis em 1906, diante de um público numeroso: o aeroplano 14 Bis voou 60 metros, a uma altura de dois a três metros. Era a primeira vez que isso acontecia na Europa e no mundo, naquelas circunstâncias, ou seja, uma máquina motorizada, mais pesada do que ar, em demonstração pública, levantando vôo de uma pista comum e munido de um equipamento de pouso fixo.
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Pipa do enteado
De papel enegrecido
fácil de localizar 1822
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O enteado…
É dele, A pipa remendada
1823
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No mesmo céu –
As grandes pipas imperiais
E também as pequenas
1816
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Também a pipa
Do cantor de rua,
Subindo e subindo
1811
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No céu
Pipas grandiosas
E humildes
1816
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Ano Novo…
Também uma pobre pipa No céu de Edo
1810
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Bela pipa no alto
Tremor de um mendigo
Em baixo 1820
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Um menino de rua
Caminha soltando Uma pipa 1820 |
Subúrbio de Kioto
Mesmo empinar pipas
É difícil
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Uma pipa altiva Sobe do barraco
Do mendigo 1811 |
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Dia de sol e chuva
Salpicaram a pipa... Parece... 1795
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Casas soltando pipas:
Três...quatro.... Agora duas 1795
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Campos verdes de arroz
Animadas,
As pipas sobem
1816
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Cidadezinha...
Pipa subindo,
Devagar e sempre
1816
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Pipas de Edo
Desde cedo, as cabeças,
Meneiam, meneiam
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Atrás do rabo das pipas
Voltas e mais voltas
Do cachorro
1814
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Imitando o dono
Os olhos do cachorro
Fixos na pipa
1814
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Foge, pipa!
Inquieto te olha
O cachorro
1816 |
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Pipa de Ano Novo
Como a aprovação do treinador,
Um macaco a soltá-la.
1807 |
Atada às costas
Do macaco
A linha da pipa
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Com o rabo da pipa
Na boca
A gárgula
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Chama por seus pais,
Enquanto sua pipa sobe O pequeno peregrino 1816
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Uma pipa -
Sobe do templo de Mokubo, Fim de tarde 1805
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Até as pipas
Da autoridade provincial
Têm a boca suja
1816
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Abraçada à pipa
A menina
Em sono profundo |
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Segurando a linha
da pipa a criança adormecida 1822
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Canção da pipa
Voa, voa, pequena pipa
Sobe ao céu, abre as asas, Junte-se às nuvens no horizonte, Sobre as nossas pobres casas. Você, pipa, amarrada está Em linha, vareta e papel, Voa, agora, mostra as garras, Livre nesse azul do céu. Nós mesmos a construímos, E torcemos por você, contentes! Ah, precursora dos aeroplanos, Vire-se então e os cumprimente. |
Drachenlied
Fliege, fliege, kleiner Drache Steig mit Eifer in die Lüfte Schwing dich, kleine blaue Sache Über unsre Häusergrüfte! Wenn wir an der Schnur dich halten Wirst du in den Lüften bleiben Knecht der sieben Windsgewalten zwingst du sie, dich hochzutreiben. Wir selbst liegen dir zu Füßen! Fliege, fliege, kleiner Ahne Unsrer großen Aeroplane Blick dich um, sie zu begrüßen! |
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A música flutua no silêncio da noite
E confia-se aos ventos que estão a soprar
Mas a melodia é tão débil e distante, tão difícil de ser percebida
Que súbito o vento inconstante a troca por outra melodia.
Já Pei Xing Chuan, um poeta chinês contemporâneo, fala sobre a feira de pipas que existia sob as muralhas de Weifang, na parte leste da cidade, durante o período Qing, no seu poema Ode a Wei.
No mercado de pipas, a leste das muralhas da cidade,
os turistas estão ocupados - examinam, compram.
As novidades chamam a atenção de quem passa.
Emparelhadas, borboletas e pipas voam alto no céu.
Ou ainda o poeta Guo Lin, da Dinastia Qing (1644-1911), fala de Wei, a famosa cidade das pipas, no poema "Primavera". Em Wei, existem hoje mais de trinta fábricas de pipas.
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Uma pipa é a vítima, esteja certo.
Você gosta dela porque ela puxa, Dócil o bastante para chamá-lo de mestre, Forte o bastante para chamá-lo de louco; Porque ela vive Como um falcão treinado em desespero No alto e doce ar, E você pode sempre baixá-la Para domá-la na sua gaveta. Uma pipa é um peixe que você já pegou Num lago onde nenhum peixe chega, Assim você cauteloso brinca com ele, por longo tempo, E espera que ele não desista Ou que o vento morra. Uma pipa é o último poema que você escreveu Assim você o entrega ao vento, Mas não o deixa partir Até que alguém encontre Algo para você fazer. Uma pipa é um contrato de glória Que deve ser feito com o sol, Assim você faz amizades com o campo, Com o rio e com o vento. Então você brinca durante toda a fria noite de antes, Sob a lua viageira, sem linha, Até que você se torne valeroso e lírico e puro. |
A kite is a victim you are sure of.
You love it because it pulls gentle enough to call you master, strong enough to call you fool; because it lives like a desperate trained falcon in the high sweet air, and you can always haul it down to tame it in your drawer. A kite is a fish you have already caught in a pool where no fish come, so you play him carefully and long, and hope he won't give up, or the wind die down. A kite is the last poem you've written, so you give it to the wind, but you don't let it go until someone finds you something else to do. A kite is a contract of glory that must be made with the sun, so you make friends with the field the river and the wind, then you pray the whole cold night before, under the travelling cordless moon, to make you worthy and lyric and pure |
As boas taquaras são raras hoje em dia, com muros de tijolos substituindo cercas de bambus e sebes vivas. Mas restam ainda algumas, como as da cerca de Dona Maria Lavadeira, ao lado da Banhas Piau, na Vila Taboca, nesse distante 1954. E depois de roubar uma, com todo cuidado, tudo fica maissimples. Você esquece num instante as dificuldades anteriores, como a de conseguir dinheiro para comprar dois carretéis de linha de sapateiro número 24, as caminhadas para cima e para baixo na Afonso Pena, em busca de um bompapel de seda, a impossibilidade de se dedicar integralmente à obra – menino faz isso, menino faz aquilo! Na segunda fase do esqueleto da pipa propriamente dito, seguro(a) o cabo da faca com a mãoes querda, bat(o)a no lado cego da lâmina com a direita. A taquara racha,claro! Lavro (e) as duas varetas, primeiro a da coluna vertical, depois a do arco horizontal, levemente inclinado. Examino(e) tudo com cuidado, um desequilíbrio na distribuição de peso condena a pipa para sempre, graciosa, sim, mas inapta para grandes vôos, contentando-se com graçolas, requebros e piruetas sobre os fios elétricos. Pronto, a folha de seda verde já foi dividida em duas, prontas para serem coladas invertidas. Agora que o grude de polvilho esfriou na trempe, uma das varetas já recebe no dorso a pasta incolor do grude, fixando-se em seguida na folha de seda. Enquanto o grude seca, furo(e) o papel de seda nos dois lados da vareta, em cima e embaixo, formando o cabresto. Um descuido pode significar algo de terrível, como a morte anônima engastanhada nos fios elétricos. Vê como sopra o vento? Do jeito que as pipas gostam. Mas espero(e) um pouco. Deixe-a secar enquanto explora o céu. O vento agora é música. Sinal de que aprecia o resultado de seu trabalho. Corre, portanto, para empinar a pipa. A cada puxão do fio de linha, a pipa sobe Contra o Vento, no poema de . Klaus V. Dohnannyi, do livro Und sie fliegen heute noch.
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Contra o vento,
a cotovia alegra-se Contra o vento os falcões caçam Contra o vento As pipas sobem Quanta coisa se pode fazer Contra o vento! |
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Gegen den Wind
jubelt die Lerche. Gegen den Wind jagd der Falke. Gegen den Wind steigt der Drachen. Was kann man aus Gegenwind alles machen |
Original na revista Slate
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A arte de soltar pipas
A arte de soltar pipas
Autor soltando pipa em Pequim 2007
Metamorfose
A pipa
Morre no mar
E renasce estrela.
A pipa
Cai no deserto
E renasce íbis.
A pipa
Cai na mata
E renasce ogre.
A pipa
Cai no poço
E renasce abismo
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As pipas
No festival
De pipas,
a lua chega bem cedo.
Pipas dengosas
Pipas serenas
Com rabiolas
De açucenas.
Voam ousadas
Na brisa amena
sobem com graça
Do alto acenam.
Soltas no céu,
As desgarradas
Viram estrelas
Da madrugada
A Lua
O menino aponta
Na ponta da linha,
A pipa da lua
Subindo sozinha.
A pipa da lua
Se faz de luar
Uma lua de pipas
no céu a brilhar.
A pipa aponta
Para o menino
Soltando uma pipa
Chamada Destino.
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Umdia vou construir uma grande pipa
Um lado rubro um lado branco Um dia vou construir uma grande pipa Um lado rubro um lado branco...um lado delicado Um dia vou construir uma grande pipa E nela subirão suas cem mil crianças...elas vão me escutar Eu as vejo vir do sol nascente. Depois vou atrelar os cavalos do vento Umcavalo rubro um cavalo branco Depois eu vou atrelar os cavalos do vento Um cavalo rubro um cavalo branco... um cavalo malhado Depois eu vou atrelar os cavalos do vento E iremos pelos oceanos...para ver se ainda vivem Se os oceanos continuam vivos. Por sobre os bosques por sobre os campos Um pássaro rubro um pássaro branco Por sobre os bosques por sobre os campos Um pássaro rubro um pássaro branco...um pássaro lira Por sobre os bosques por sobre os campos Eles nos levarão onde o Mal terrível habita... e o destruiremos Bomba de silêncio e punhal de prata. Vamos subjugar o Mal a ferro e sangue Umsol rubro um sol branco. Vamos subjugar o mal a ferro e sangue Um sol rubro um sol branco...um sol sombrio Vamos subjugar o Mal a ferro e sangue Uma nuvem subindo e outra descendo... diaclaro E de passagem arrasaremos a cidade. Quando voltarmos de coração triunfante Um lado rubro um lado branco Quando voltarmos de coração triunfante Um lado rubro um lado branco...um lado homem Quando voltarmos de coração triunfante Você dirá: são nossas crianças...quem foi Que as levou para longe de seus pais Subirei de novo na minha pipa Uma manhã rubra uma manhã branca Subirei de novo na minha pipa Uma manhã rubra uma manhã branca...uma manhã pálida Subirei de novo na minha pipa E deixarei suas cem mil crianças...aos seus cuidados Para lançar os dados na mão do tempo. |
C'è qualcosa di nuovo oggi nel sole,
anzi d'antico: io vivo altrove, e sento
che sono intorno nate le viole.
Son nate nella selva del convento
dei cappuccini, tra le morte foglie
che al ceppo delle quercie agita il vento.
Sirespirauna dolce aria che scioglie
le dure zolle, e visita le chiese
di campagna, ch'erbose hanno le soglie:
un'aria d'altro luogo e d'altro mese
e d'altra vita: un'aria celestina
che regga molte bianche ali sospese...
sì, gli aquiloni! È questa una mattina
che non c'è scuola. Siamo usciti a schiera
tra le siepi di rovo e d'albaspina.
Le siepi erano brulle, irte; ma c'era
d'autunno ancora qualche mazzo rosso
di bacche, e qualche fior di primavera
bianco; e sui rami nudi il pettirosso
saltava, e la lucertola il capino
mostrava tra le foglie aspre del fosso.
Or siamo fermi: abbiamo in faccia Urbino
ventoso: ognuno manda da una balza
la suacometaper il ciel turchino.
Ed ecco ondeggia, pencola, urta, sbalza,
risale, prende il vento; ecco pian piano
tra un lungo dei fanciulli urlo s'inalza.
S'inalza; e ruba il filo dalla mano,
come un fiore che fugga su lo stelo
esile, e vada a rifiorir lontano.
S'inalza; e i piedi trepidi e l'anelo
petto del bimbo e l'avida pupilla
e il viso e il cuore, porta tutto in cielo.
Più su, più su: già come un punto brilla
lassù lassù... Ma ecco una ventata
di sbieco, ecco uno strillo alto... - Chi strilla?
Sono le voci della camerata
mia: le conosco tutte all'improvviso,
una dolce, una acuta, una velata...
A uno a uno tutti vi ravviso,
o miei compagni! e te, sì, che abbandoni
su l'omero il pallor muto del viso.
Sì: dissi soprate l'orazïoni,
e piansi: eppur, felice te che al vento
non vedesti cader che gli aquiloni!
Tu eri tutto bianco, io mi rammento.
solo avevi del rosso nei ginocchi,
per quel nostro pregarsulpavimento.
Oh! te felice che chiudesti gli occhi
persuaso, stringendoti sul cuore
il più caro dei tuoi cari balocchi!
Oh! dolcemente, so ben io, si muore
la sua stringendo fanciullezza al petto,
come i candidi suoi pètali un fiore
ancora in boccia! O morto giovinetto,
anch'io presto verrò sotto le zolle
là dove dormi placido e soletto...
Meglio venirci ansante, roseo, molle
di sudor, come dopo una gioconda
corsa di gara per salire un colle!
Meglio venirci con la testa bionda,
che poi che fredda giacque sul guanciale,
ti pettinò co' bei capelli a onda

Ilust. Karen Finkannon

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A Rosa Doente
Oh, Rosa, estás doente
A larva invisível
Que à noite voa
Quando ruge a tormenta
Encontrou teu leito
De alegria púrpura
E seu escuro e secreto amor
Tua vida destrói.
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The Sick Rose
O rose, thou art sick
The invisible worm
That flies in the nighyt,
In the howling storm
Hath found out thy bed
Of crimson joy
And his dark secret love
Does thy life destroy.
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O Tigre
Tigre, tigre, clarão e fulgor,
Nos bosques da noite
Que mão ou olho imortal
Pôde programar tua terrível simetria?
Em que abismo ou céus distantes
Ardeu o incêndio dos teus olhos?
Com que asas ousas te lançar?
Que mão ousa agarrar esse fogo?
Que ombro, que mestria,
Urdiu as fibras de teu coração?
E quando teu coração palpitou,
Que horríveis mãos? Que horríveis pés?
Com que malho? Com que corrente?
E que forno forjou teu cérebro?
Em que bigorna? Com que tenaz
Teus mortais terrores ousou agarrar?
Quando os astros arremessaram lanças
E o céu de lágrimas banharam?
E o sorriso dele ao contemplar sua obra?
Quem fez o cordeiro, também te fez?
Tigre, tigre, clarão e fulgor,
Nos bosques da noite
Que mão ou olho imortal
Ousou moldar tua terrível simetria
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The Tyger
Tyger, tyger, burning bright In what distant deeps or skies And what shoulder and what art What the hammer? what the chain? When the stars threw down their spears, Tyger, tyger, burning bright
In the forests of the night, What immortal hand or eye Dare frame thy fearful symmetry? |
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Primavera
A flauta canta
E então se cala
Ave contente
A qualquer hora:
A cigarra enche
De canto o vale
E as cotovias
Em cantoria
Cantando, cantando, saudamos o Novo Ano.
O menino
Só alegria
E a menininha
Doce e pequena
Os galos cantam
E você também
Vozes felizes
Bulha de crianças
Cantando, cantando, saudamos o Novo Ano
Venham, ovelhinhas,
Eu aqui estou
Venham lamber
Meu alvo pescoço
E me deixa pegar
Tua suave lã
E também beijar
Teu suave rosto
Cantando, cantando saudamos o Novo Ano
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Spring
Sound the flute! Little boy, Little lamb,
Here I am; Come and lick My white neck; Let me pull Your soft wool; Let me kiss Your soft face; Merrily, merrily we welcome in the year. |
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A Mosca
Pequena Mosca,
Distraída, minha mão
Interrompeu
Seu vôo de verão.
Sou ou não sou,
Uma mosca como tu?
És ou não és,
Um homem como eu?
Porque danço,
Bebo e canto,
Atéque uma mão cega
Minha asa esmague.
Se pensamento é vida
Fôlego e força,
E sua ausência
Quer dizer morte,
Então eu sou
Uma mosca feliz
Não importa se morta,
Não importa se viva.
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The fly Little Fly, Am not I For I dance, If thought is life Then am I
A happy fly. If I live, Or if I die. |

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O menino perdido
Pai! Pai! Aonde vai?
Não anda assim depressa,
Fala com seu filho, pai,
Senão posso me perder!
Noite escura, nenhum pai,
Criança de orvalho molhada
Lama funda, criança que chora
E a bruma que se dissipa.
(W. Blake)
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O menino encontrado
O menino perdido na lama,
Seguindo uma vaga luz,
Começa a chorar: Deus, ao lado,
Surge de branco, como seu pai.
Beija a criança e a conduz
Pela mão até a sua mãe
Que no vale deserto, pálida,
Chorando, seu menininho buscava
(W. Blake)
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De repente
A ovelha dava corda no relógio
E o guarda paciente pastava
Os rios estouravam no céu
E os foguetes transbordavam.
Um velho, leite amolava,
E sua mulher facas bebia
Enquanto alfaiates mugiam
E as vacas costuravam.
Um pinguço de muitos gomos
Uma laranja que cambaleava
O palhaço que escorria na calha
E a chuva em saltos mortais.
A mulher desabrocha seu filho
Enquanto a rosa cantarolava
Está gelado! - disse o fogo
Estou queimando - disse a água.
(Sérgio Capparelli)
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Cem Passarinhas
Cem passarinhas
Na árvore pousaram,
Dez já voaram,
Quantos ficaram?
Noventa
Oitenta
Setenta
Sessenta
Cinqüenta
Quarenta
Trinta
Vinte
Dez
Dez passarinhas
Na árvore pousaram,
Dez já voaram
Quantas ficaram?
Só eu, sozinha.
(Popular Inglesa)
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Dorme, menino!
Fecha os olhos, dorme agora,
Não chora, menino, não chora,
Quando acordar, vai escolher,
Um cavalo zaino, um cavalo baio,
Um cavalo alazão, um cavalo pardo,
Mas dorme, menino, está na hora,
Galopa até o amanhecer.
Sérgio Capparelli
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Canção de Ninar
Dorme o cachorro no fundo do pátio,
Dorme os galhos do ingazeiro,
Dorme a galinha, dormem os pintinhos,
Dorme a formiga no formigueiro
Dorme o peixe e a estrela do mar
Dorme o sol, dorme o luar
Dorme o passarinho no jequitibá,
Dorme, menina, o sono já vem,
Dorme, eu quero dormir também.
Sérgio Capparelli
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Canção de Ninar
A noite corre atrás do dia
O dia corre atrás da noite
Correm no terreiro o tempo inteiro,
Dorme, meu menino, dorme...
(França)
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